Brasil

Crianças aprendem técnicas para escapar dos riscos da chuva forte e de enchentes

Defesa Civil estuda criação de alertas para escolas

Foto: Paulo Filgueiras/EM/D.A Press

A época da seca e dos incêndios mal começou, mas o período de chuvas já preocupa as autoridades, que se movimentam para que os alagamentos que se repetem todos os anos não peguem ninguém desprevenido. Vinte alunos da rede pública participam do curso de salvamento da Defesa Civil, na manhã de ontem, na Avenida Vilarinho, na Região se Venda Nova, em Belo Horizonte. A via é uma das que mais registram alagamentos durante o período chuvoso na capital. A Defesa Civil pretende ainda criar um mecanismo de alerta especial para os diretores de escolas que ficam em áreas de risco. Enquanto isso, as intervenções necessárias para o controle das inundações na bacia do córrego que corta a região ainda estão em fase de licitação.

Crianças do 9º ano da Escola Municipal Pedro Guerra aprenderam como agir em casos de chuva forte e enchente. Foram simuladas situações como salvamento de dentro do carro em caso de alagamento e resgate por corda. A iniciativa da Defesa Civil de Belo Horizonte começou em 2015, já treinou mais de 11,5 mil alunos em escolas em áreas de risco e segue a recomendação do Marco de Sendai para a Redução do Risco de Desastres, consolidado pela Organização das Nações Unidas (ONU). “Acho muito importante esse tipo de atividade. A gente nunca sabe, né? Temos que saber como nos proteger”, disse Leonardo Júnior, de 11 anos. “Também gostei de aprender. Se houver uma chuva forte, já sei como ajudar as pessoas. Lições fáceis que podem salvar vidas”, concordou a colega Nicolle Oliveira da Silva, de 15. Ela diz que ensinaria as técnicas aos familiares quando chegasse em casa.

O agente de Proteção e Defesa Civil Adilson Martins da Silva explica que o trabalho é multiplicador, já que as crianças aprendem e ensinam aos amigos e pais. “É um trabalho de conscientização e de medidas de autoproteção. Explicamos para eles as dinâmicas das chuvas, como os alagamentos ocorrem e como se manter em segurança”, informou o agente. Além de deixar os alunos bem treinados, a Defesa Civil espera colocar em prática, até o próximo período de chuva, que começa em outubro, um alerta para diretores da escola que ficam em áreas de risco de alagamento. Mas a ideia ainda será discutida com os outros órgãos.

Ano passado, a Defesa Civil lançou um canal exclusivo para emissão de alertas para os moradores, comerciantes, pedestres e motoristas que utilizam a Avenida Vilarinho. Pelo canal público do aplicativo Telegram, são repassadas previsões e alertas sobre os risco provocados pelas chuvas. Qualquer usuário do aplicativo pode acessar o canal. O Twitter também está sendo usado como ferramenta de alerta do Sistema de Defesa Civil do município, incluindo dicas de prevenção contra acidentes.

OBRAS

Segundo a Secretaria Municipal de Obras e Infraestrutura (Smobi), a prefeitura ainda tenta vialibilizar a contratação de estudos atualizados para subsidiar a elaboração de projetos básicos e executivos de engenharia, que indicarão as soluções adequadas para a mitigação das inundações na Avenida Vilarinho. Na via, há uma insuficiência no sistema de drenagem que a secretaria atribui ao crescimento da ocupação ao longo da bacia, com comprometimento do funcionamento dessas estruturas pelo acúmulo de lixo e entulho. “Entre as intervenções necessárias para o controle das inundações na bacia do Córrego Vilarinho está o tratamento de fundo de vale e controle de cheias na bacia do Córrego do Nado: sub-bacia do Córrego Lareira e sub-bacia do Córrego Marimbondo. O empreendimento encontra-se em licitação. Além disso, a prefeitura realiza periodicamente a limpeza das bacias de detenção, das bocas de lobos e manutenção das redes pluviais”, informou a prefeitura, por meio de nota.

Ainda de acordo com órgão, a prefeitura fez diversas obras na bacia para minimizar os problemas causados pelos alagamentos: implantação das bacias de detenção do Córrego Vilarinho e da Avenida Liege, adequação da seção interna do canal para melhorar a sua condição hidráulica de escoamento e a implantação de grelhas sobre a galeria para facilitar a captação das águas para seu interior. Foram ainda implantadas na região as bacias de detenção do Complexo Várzea da Palma, na Bacia do Córrego da Avenida 12 de Outubro, que contribui para o trecho crítico. Segundo a Smobi, há seis empreendimentos em andamento no momento e outras cinco obras previstas para reduzir os efeitos da chuva em Belo Horizonte.

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