FEMINICÍDIO Taxista é procurado suspeito de matar a esposa no DF Crime aconteceu na casa onde moravam a vítima e o acusado. Ele teria dado quatro tiros, errado três e acertado um no tórax da mulher

Por: Correio Braziliense

Publicado em: 07/08/2018 13:06 Atualizado em:

Edilson Januário de Souto é procurado por policiais civis
Edilson Januário de Souto é procurado por policiais civis
Policiais civis procuram o taxista Edilson Januário de Souto, 61 anos. Ele é acusado de matar a tiro a mulher, Marília Jane de Sousa Silva, 58 anos. O crime aconteceu na noite de domingo, na casa dos dois, na quadra 405 do Recanto das Emas. O caso é tratado como feminicídio, crime em crescimento no Distrito Federal.  A Secretaria de Segurança Pública registrou 14 mulheres mortas em feminicídio no primeiro semestre de 2018, contra 10 nos seis primeiros meses de 2017.

O suspeito passou o domingo bebendo em um bar, a menos de 500m de casa, segundo os vizinhos. “Eu também bebia uma cerveja, em uma mesa separada, mas ele aparentava estar tranquilo. Só reclamou de umas crianças que jogavam futebol e faziam muito barulho. Quando eu já estava em casa, escutei o barulho dos tiros. Pensei até mesmo que fossem bombinhas, soltadas pela molecada da rua”, contou uma moradora da região, que preferiu não se identificar por medo.

De acordo com o delegado Sérgio Bautzer, da 27ª Delegacia de Polícia (Recanto das Emas),  Edilson começou a discutir com a mulher assim que chegou em casa. “Ele teria disparado quatro vezes, errou três tiros e acertou um no tórax da vítima. Ela caiu enquanto tentava fugir para o portão, mas ele a arrastou de volta para dentro da garagem”, detalhou Bautzer. O suspeito ainda colocou o carro da vítima dentro da casa e fugiu usando o próprio veículo, um Chevrolet Spin, cor prata, que estava com a identificação de táxi e tem placa vermelha, número OVS7431, segundo o delegado.

Após a fuga, um bombeiro militar, que teve a identidade preservada pelos investigadores, arrombou o portão do local do crime e tentou reanimar a vítima, mas não teve sucesso. Ele ainda acionou os socorristas, mas, quando chegaram à residência, Marília estava morta. “Ainda não localizamos a arma do crime. Tem um cofre na casa, mas dentro dele só tinham documentos e um registro de arma da década de 1990, que não vale mais. Nossa suspeita é de que a arma estava guardada lá”, disse Bautzer.

Ainda segundo o delegado, os investigadores não localizaram câmeras de segurança que pudessem levar ao paradeiro do suspeito. “Ainda não sabemos que rumo ele tomou, mas estamos com equipes na rua desde o momento do crime”, ressaltou Bautzer, ontem à tarde. O delegado alertou que o homem deve estar armado e é perigoso. A Secretaria de Mobilidade confirmou o registro do taxista e informou que a autorização dele para trabalhar no ramo é válida até janeiro de 2019.

Após o crime, a área da casa ficou suja de sangue. Parentes da vítima compareceram ao lugar ainda de madrugada, após a perícia da Polícia Civil e limparam a cena. Eles trancaram a residência, com correntes e cadeados. Até o fechamento desta edição, o sepultamento de Marília ainda não estava marcado.

Casal reservado

Edilson e Marília se mudaram há pouco mais de dois anos para a casa onde ocorreu o crime. Vizinhos contaram que ambos eram reservados, costumavam cumprimentar todos, mas não eram próximos a ninguém. “A gente a via saindo de carro, de vez em quando. Ela vendia cosméticos, mas também já me disse que era cuidadora de idosos”, relatou uma vizinha, que não quis se identificar.

Quem mora próximo à casa do casal relata que nunca escutou discussões ou barulhos de briga. “Moravam só os dois no lote. Estavam sempre tranquilos. Isso que chocou mais a gente, porque não dava para imaginar que esse tipo de coisa poderia acontecer. Estamos todos assustados, foi uma grande confusão”, lamentou um conhecido de Edilson.


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