Crime Advogada diz que Doutor Bumbum está foragido devido à síndrome do pânico Médico é suspeito de ter causado a morte de uma paciente que passou por uma bioplastia no domingo, em seu apartamento, no Rio de Janeiro

Por: Correio Braziliense

Publicado em: 18/07/2018 22:50 Atualizado em:

(foto: Instagram/Reprodução)
(foto: Instagram/Reprodução)

A advogada do médico Denis Cesar Furtado, 45 anos, conhecido como Doutor Bumbum, Naiara Baldanza, disse que haverá uma negociação para o médico se entregar, mas não adiantou como e quando isso aconteceria. Denis é acusado da morte da bancária Lilian Calixto, 46 anos, por complicações num procedimento estético realizado no último domingo (14/7), no Rio de Janeiro.

 

Segundo a advogada, Denis ainda não se apresentou à polícia por problemas de saúde. "Ele desenvolveu uma síndrome do pânico. O motivo de não se apresentar não é obstruir o trabalho da Justiça, mas proteger sua saúde. Ele está sentindo a morte da paciente como todas as pessoas", completa. A advogada disse que haverá uma negociação diretamente com a polícia. 

 

A defesa do médico não explicou as denúncias que Denis enfrenta na polícia e nos órgãos regulatórios. "Nenhuma complicação aconteceu durante o procedimento", afirmou Naiara. "Existem muitas pessoas satisfeitas com o trabalho dele. Há casos que não saem como o esperado. Há pessoas que o defendem. Há um grupo de WhatsApp formado por clientes que estão satisfeitas", detalha advogada. 

 

Naiara deixou de responder a todas as perguntas. "Algumas coisas serão respondidas nos autos do processo", repetiu por cinco vezes. A entrevista durou 14 minutos. 

 

 O médico também atendia na capital federal, onde  atuou numa clínica clandestina no Lago Sul. Ele responde a processo ético-profissional no Conselho Regional de Medicina do DF e não tem registro de especialidade. Em março de 2016, Denis sofreu interdição cautelar para o exercício da profissão — a medida, porém, foi suspensa três meses depois pela Justiça. Foi indiciado seis vezes pela Polícia Civil do DF por exercício ilegal da medicina, crime contra o consumidor e posse ilegal de arma de fogo. Sua clínica no DF  não tinha alvará para funcionar, nem autorização da Vigilância Sanitária e não estava registrada no Conselho Regional de Medicina.

 

Há pelo menos 22 denúncias contra Denis por crimes contra o consumidor e exercício ilegal da medicina. Na do Rio de Janeiro, um homicídio em 1997, porte ilegal de arma e ameaça. Denis tem registro profissional no DF e em Goiás. Não poderia atender em São Paulo e no Rio de Janeiro. Um dos casos investigados pela polícia no DF é de uma paciente tetraplégica. Denis teria prometido curar as dores dela com um implante hormonal. Contudo, o tratamento não surtiu efeito e desencadeou um problema pulmonar na vítima.

 

Recompensa 

 

Foragido há quatro dias, o Disque Denúncia oferece recompensa de R$ 1 mil reais por informações que levem as prisões do cirurgião e da mãe dele, Maria de Fátima, 66 anos. Ela também é médica, mas teve o registro cassado. Junto com a técnica de enfermagem Rosilane Pereira da Silva, 24 anos, eles foram indiciados por homicídio qualificado e associação criminosa. A namorada dele, Renata Fernandes Cirne, 20 anos, foi presa por suspeita de participação no procedimento. Na terça, ela foi transferida para o presídio de Benfica, na Zona Norte do Rio. Todos negam envolvimento na morte. 

 

Lilian morreu na madrugada do último domingo, horas após ser submetida a um procedimento estético nas nádegas. A paciente teve complicações e foi encaminhada pelo próprio médico para um hospital particular, onde chegou lúcida, mas com taquicardia, sudorese intensa e hipotensão arterial (pressão inferior à normal). O quadro de Lilian se agravou. Ela sofreu quatro paradas cardíacas e morreu uma hora depois. A hipótese inicial levantada sobre as causas morte seria embolia pulmonar, devido à aplicação do silicone. O Conselho Regional de Medicina (Cremerj) apura o caso. 

 

 



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