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Febre Amarela 'Animais do zoológico estão acostumados com o público', diz biológa Devido ao fechamento desde o dia 23 de janeiro, o zoológico de São Paulo já acumula um prejuízo de quase R$ 6 milhões.

Por: AE

Publicado em: 14/03/2018 08:30 Atualizado em:

"A gente precisa da bilheteria para manter o parque, e temos uma preocupação com os visitantes", comenta. Foto: Youtube/Reprodução (Foto: Youtube/Reprodução)
"A gente precisa da bilheteria para manter o parque, e temos uma preocupação com os visitantes", comenta. Foto: Youtube/Reprodução


Em depoimento sobre a comemoração de 60 anos zoológico paulistano, Ana Maria Beresca, bióloga e chefe da Divisão de Ciências Biológicas da Fundação Parque Zoológico de São Paulo, comentou sobre a atual situação da instituição. Nesta sexta-feira (16), o local completa aniversário, mas pode ficar sem nenhum visitante. Desde o dia 23 de janeiro, quando foi encontrado um macaco da espécie bugio morto em decorrência à febre amarela, as portas estão fechadas a qualquer visitação, acumulando um prejuízo de quase R$ 6 milhões.

Entrevista:

"Estou aqui há muito tempo e esta é a primeira vez que o parque está fechado desse jeito. Lembro que nos anos 1990 enfrentamos uma greve, e o portão ficou fechado por um dia. Fui contratada em 1992, para trabalhar como bióloga no setor de mamíferos. Depois de oito anos, fui transferida para o setor de nutrição e, após mais três anos, para a área de comportamento animal. Depois de mais oito anos, vim para a divisão que trabalha com aves, mamíferos, répteis e com a parte de comportamento", disse. 

"A gente precisa da bilheteria para manter o parque, e temos uma preocupação com os visitantes. O zoológico é um ponto turístico e recebe muitas escolas municipais e estaduais. Sempre falamos que as pessoas vêm aqui pelo menos três vezes na vida: quando criança, para trazer o filho e, depois, com o neto. Muitas vezes elas se lembram de excursões com a escola."

"No ano passado, sentimos o impacto da crise financeira e, dentro das possibilidades, trabalhamos com educação ambiental para trazer mais público, apresentamos e batizamos filhotes. Nossa bilheteria não caiu muito. É difícil ver o zoológico fechado. Estamos acostumados com a gritaria das crianças e, quando caminhamos agora, só encontramos funcionários", lamenta.

"Quando a gente teve de fechar o parque, sentimos que os animais estavam descansando, porque aqui funciona de segunda a segunda. Eles ficaram até mais relaxados. Mas os animais estão acostumados com o público. Quem sente mais são os primatas, que são mais carismáticos. A onça-pintada interage muito com o público, e é comum vê-la pular no vidro, assustando os visitantes. Agora ela está apática."

"A gente tenta suprir (a falta de visitantes) com os funcionários, que fazem companhia, porque os animais não entendem o que está acontecendo. De repente, é só silêncio. Nós intensificamos as atividades de enriquecimento, como colocar brinquedos e fornecer alimentos de forma diferente para que eles procurem."

"Nunca passamos por uma crise tão séria. Na próxima sexta-feira será o aniversário de 60 anos do Zoo e a gente tinha feito uma programação especial. Será o primeiro aniversário em que o zoológico vai passar fechado - e o último, espero", finaliza Ana Maria.


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