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Racismo Universitário é acusado de racismo após dizer que encontrou 'escravo no fumódromo' A vítima registrou boletim de ocorrência por injúria racial e o autor da foto foi suspenso da faculdade por 3 meses

Por: Diario de Pernambuco

Publicado em: 09/03/2018 15:24 Atualizado em: 09/03/2018 16:30

O boletim por injúria racial foi registrado no 4º Distrito Policial da Consolação, na região central da cidade. Foto: Reprodução/Whatsapp
O boletim por injúria racial foi registrado no 4º Distrito Policial da Consolação, na região central da cidade. Foto: Reprodução/Whatsapp

Uma foto compartilhada em um grupo do whatsapp gerou revolta entre alunos e coordenadores da Faculdade Getulio Vargas (FGV), no Centro de São Paulo. Um aluno da instituição tirou uma foto de outro estudante do mesmo estabelecimento de ensino e compartilhou com a seguinte frase: "Achei esse escravo no fumódromo! Quem for o dono avisa!". A vítima registrou boletim de ocorrência por injúria racial e o autor da foto foi suspenso da faculdade por 3 meses. 

No Facebook, o rapaz conta que foi chamado pela Coordenação de Administração Pública na terça-feira (6) e informado que um aluno do 4º semestre do curso de Administração de Empresas compartilhou a foto com a frase. 

No post, a vítima diz que o colega teve atitude "covarde". “Tão perto de mim...porque não foi falar na minha cara? Mas você optou pela atitude covarde de tirar uma foto minha e jogar no grupo dos amiguinhos. Se seu intuito foi fazer uma piada, definitivamente você não tem esse dom. Acha que aqui não é lugar de preto? Saiba que muito antes de você pensar em prestar FGV eu já caminhava por esses corredores. Se você me conhecesse, não teria se atrevido. O que você fez além de imoral é crime! As providências legais já foram tomadas e você pagará pelos seus atos”, diz post publicado em grupo da faculdade no Facebook.

“Não descansarei até você ser expulso dessa faculdade. Pessoas como você não devem e nem podem ter um diploma da Fundação Getulio Vargas. A mensagem é curta e direta. Mas serve para qualquer outro racista da Fundação. Não passará!”

O boletim por injúria racial foi registrado nesta quinta-feira (8), no 4º Distrito Policial da Consolação, na região central da cidade. 

Em nota, a Faculdade Getúlio Vargas afirmou que ante "possível conotação racista da ofensa" "aplicou severa punição ao ofensor, que foi suspenso por três meses".
"O comentário ofensivo foi feito em grupo privado do qual o ofensor fazia parte, sem qualquer participação, ainda que indireta, da FGV. Ante a possível conotação racista da ofensa, firme em sua postura de repúdio a toda forma de discriminação e preconceito, a FGV, tão logo tomou conhecimento dos fatos, tal qual prevê seu Código de Ética e Disciplina, de imediato aplicou severa punição ao ofensor, que foi suspenso de suas atividades curriculares por três meses, estando impedido de frequentar a escola, sem ressalva da adoção de medidas complementares, a partir da apuração dos fatos pelas autoridades competentes", diz o texto.
O Diretório Acadêmico Getúlio Vargas disse, por meio de nota, que uma carta de denúncia será apresentada à Congregação, órgão colegiado capaz de deliberar a respeito da expulsão do aluno.

"Reiteramos, ainda, nosso profundo repúdio ao ocorrido. Nossa gestão assumiu o DAGV com o compromisso de trabalhar junto aos coletivos por uma faculdade mais inclusiva e democrática, e por um ambiente universitário verdadeiramente acolhedor a todos e todas que nele estão", diz a nota.

O coletivo negro 20 de Novembro FGV também se manifestou e pediu "basta de preconceito". Confira: 

"Vivemos num país livre. Infelizmente essa liberdade muitas vezes é tão somente formal. As desigualdades de renda, classe, gênero e de cor nas terras de Machado de Assis, Dandara, Luís Gama, Carolina de Jesus, Joaquim Barbosa e Thais Araújo, nos dizem que indivíduos ainda são cerceados de ser quem realmente são. Negros e negras são minoria nas prestigiadas instituições de ensino superior. Homens negros são a maior parte da população carcerária do país. Mulheres negras sofrem duas vezes mais com o feminicídio do que mulheres brancas. Crianças negras são a grande maioria do corpo discente do péssimo ensino público. LGBTSs negros fazem parte de uma das populações mais vulneráveis para o desenvolvimento de doenças mentais. Sendo assim, o coletivo 20 de novembro se levanta e diz: Basta!"



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