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Diario Editorial: O avanço do HIV entre homens jovens

Publicado em: 02/12/2017 08:02 Atualizado em:


Não é o caso de comemorar, porque a incidência da doença continua alta, mas é uma boa notícia: o número de casos de Aids no Brasil está caindo. Em 2014 foram 41.279 ocorrências, enquanto em 2016 o total foi de 38.090, uma redução de 7,7%, segundo relatório do Ministério da Saúde divulgado nesta sexta-feira, 1º de dezembro, Dia Mundial de Luta contra a Aids. Houve queda também nas mortes: de 5,7 por 100 mil habitantes para 5,2 mil por 100 mil habitantes, no mesmo período.

Os resultados, porém,  trazem alguns alertas preocupantes. Se os indicadores de 2016 melhoraram em relação aos de 2014, ainda são piores do que da década passada: em 2006 o Brasil contava com 37.158 pessoas com Aids. Também houve elevação no total de diagnósticos de portadores do vírus HIV: de 36.360 em 2015, chegamos a 37.884 em 2016.  Nesse caso, disse a diretora do Departamento de IST, HIV/Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde, Adele Benzaken, “houve um avanço no diagnóstico, o que é uma boa notícia”. O portador do HIV não necessariamente tem Aids. A doença pode ser evitada com o tratamento adequado.

Outro ponto a merecer cuidado especial é que a epidemia mantém o avanço entre os homens, principalmente os mais jovens. Para a população masculina entre 15 e 19 anos, a detecção por HIV quase triplicou, conforme o boletim epidemiológico do Ministério da Saúde - chegam a 6,7 casos por 100 mil habitantes. Citando como fonte a diretora Adele Benzaken, o jornal Estado de S. Paulo noticiou que “o maior desafio do momento é tentar reduzir o avanço da doença entre as faixas mais jovens, sobretudo entre o grupo de homens que fazem sexo com homens (HSH)”.
Para combater o problema, o ministério lança a prevenção combinada, que inclui juntamente com o preservativo uma série de alternativas, como o uso de medicamentos antirretrovirais, destinados não a tratar o vírus HIV, mas a agir antes disso, evitando o contágio.

A ação é chamada de terapia pré-exposição, e deve começar a ser posta em prática a partir da segunda quinzena de dezembro. Não estará disponível para qualquer pessoa, mas especificamente para as chamadas populações-chave: profissionais do sexo, travestis, casais em que apenas um parceiro é soropositivo e HSHs. Em uma primeira etapa, a terapia pré-exposição será lançada em  22 municípios do país, que de acordo com o ministério são considerados “mais vulneráveis” ao problema. O alcance será ampliado “gradualmente” para outros locais, segundo Adele.
No geral, são números que se de um lado mostram que a situação não está fora de controle, de outro sinalizam que o problema nem de longe está superado, exigindo mais atenção e engajamento de todos.
 


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