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Crise política Temer e Janot vão para o confronto às vésperas da saída do procurador-geral Em meio a ataques e ao confuso processo da delação da JBS, Michel Temer eleva o tom contra as acusações de 'bandidos que constroem versões para assegurar impunidade'

Por: Estado de Minas

Publicado em: 13/09/2017 09:50 Atualizado em:

Foto: Reprodução
Foto: Reprodução
Com o caldeirão de acusações fervilhando por causa das delações e depoimentos à Operação Lava-Jato, a terça-feira teve cara de combate de MMA em Brasília. Nomes cacifados das principais instituições do país trocaram declarações “peso-pesado” para tentar permanecer de pé no ringue do poder. 

Um dia depois de ter seu nome citado pela Polícia Federal (PF) no inquérito do “quadrilhão” do PMDB, o próprio presidente da República, Michel Temer, partiu para o ataque com as críticas mais contundentes desde que foi acusado de envolvimento com o empresário Joesley Batista. Ele afirmou que no país “cada um quer derrubar o outro, cada um quer derrotar o outro, cada um quer encontrar um caminho para verificar como é que atrapalha o outro. E não conseguem”, afirmou.

Mais cedo, por meio de sua assessoria, Temer disse, em resposta ao relatório da PF. “Facínoras roubam do país a verdade. Bandidos constroem versões ‘por ouvir dizer’ a lhes assegurar a impunidade ou alcançar um perdão, mesmo que parcial, por seus inúmeros crimes. Reputações são destroçadas em conversas embebidas em ações clandestinas.”

As declarações de Temer têm também como pano de fundo a espera de uma eventual segunda denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR), por organização criminosa e obstrução da Justiça. No Supremo Tribunal Federal, o ministro Luís Roberto Barroso autorizou a abertura pela PGR de inquérito para investigar Temer, suspeito de corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo decreto dos portos.

Enquanto isso, em seus últimos dias como procurador-geral da República, Rodrigo Janot também garantiu seu lugar no pódio das alfinetadas e disse que, quando várias instituições se unem no combate à corrupção, “muitas pernas tremem”. A reação é contra as críticas que sofre por causa da reviravolta na delação da JBS. Segundo Janot, as acusações fazem parte da “estratégia da defesa”. “Como não há escusas para os fatos que vieram à tona, tanto são os fatos e escancarados, que a estratégia de defesa tem sido tentar desacreditar a figura das pessoas encarregadas do combate à corrupção”, disse.

Alfinetadas no Supremo 
Os ministros do STF também entraram no ringue das línguas afiadas. Relator da Operação Lava-Jato na corte, Edson Fachin rebateu declarações do colega Gilmar Mendes ao dizer que sua “alma está em paz”, em referência à homologação da delação de Joesley Batista e outros executivos da JBS. O Ministério Público Federal (MPF) está revisando o conteúdo dos depoimentos, por suspeitar que os executivos tenham omitido informações das autoridades.

Numa crítica a Fachin, Gilmar Mendes disse que o caso JBS é uma “grande vexame” para a Corte e que o colega deve estar passando por “constrangimento pessoal muito grande” e corria o risco de ter o nome manchado. “Julgar de acordo com a prova dos autos não deve constranger ninguém, muito menos um ministro da Suprema Corte”, rebateu Edson Fachin.

O embate entre os dois ministros ocorreu pela manhã, durante julgamento da Segunda Turma do STF sobre denúncia apresentada pela PGR contra o deputado federal Eduardo da Fonte (PP-PE) e o ex-executivo da Petrobras Djalma Rodrigues de Souza pela suposta prática dos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

Na véspera de o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva prestar o segundo depoimento ao juiz Sérgio Moro, responsável pela Lava-Jato, quem saiu em defesa do petista foi o governador Fernando Pimentel (PT), em cerimônia de entrega da Medalha JK, em Diamantina. Sem citar o nome de Lula, Pimentel lembrou que Juscelino chegou a ser chamado de “o presidente mais corrupto do Brasil” e que ele enfrentou vários processos e acusações, saindo livre de todos.

O ex-presidente Lula é acusado de ser dono de um triplex no Guarujá, que teria sido dado a ele pela construtora OAS, uma das empresas acusadas e denunciadas na Lava-Jato. De acordo com Pimentel, ninguém se lembra de quem empreendeu uma “perseguição maldosa” a JK, enquanto Juscelino, 115 anos depois de seu nascimento, continua sendo reverenciado e servindo de inspiração para quem atua na vida pública. 


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