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Distrito Federal Jovem de 19 anos precisa de doações de sangue na luta contra câncer Beatriz conta com o apoio da família, de amigos e até de desconhecidos para vencer a batalha contra a leucemia mieloide aguda

Por: Gabriella Bertoni - Especial Correio Braziliense

Publicado em: 17/07/2017 08:44 Atualizado em:

Para conseguir uma bolsa de sangue, são (necessárias) oito mulheres ou um homem, explica a mãe. Foto: Ana Rayssa/Esp. DP
Para conseguir uma bolsa de sangue, são (necessárias) oito mulheres ou um homem, explica a mãe. Foto: Ana Rayssa/Esp. DP


A vida da estudante de medicina veterinária Beatriz Luna de Andrade, 19 anos, mudou radicalmente em novembro. Diagnosticada com leucemia mieloide aguda, ela depende completamente de um desconhecido que faça duas doações essenciais para a sobrevivência dela: de sangue e de plaquetas. A jovem estava internada no Instituto de Cardiologia do Distrito Federal (ICDF) desde 7 de julho, tratando de um vírus que a atacou devido à baixa imunidade, mas recebeu alta.

Um grande obstáculo Beatriz venceu: conseguiu um doador de medula compatível. O transplante ocorreu em maio, dois meses depois do tempo ideal, devido à demora para encontrá-lo. “Os dados de um dos quatro possíveis doadores estavam desatualizados. Quando achamos um que pudesse doar, o problema foi conseguir agenda. Mas, no fim, deu certo”, comemora a mãe da jovem, Emília Luna, 42.

Por causa da doença, Beatriz precisa de uma bolsa de plaquetas por dia. A situação se complicou quando a estudante contraiu um fungo com alto risco de morte — são apenas 30% de chances de sobrevivência do paciente. Após receber fortes medicamentos, a estudante continuou com a quimioterapia. “A partir daí, ela só podia receber plaqueta por aférese, que é uma substância mais forte, como me explicaram os médicos. Mas, para conseguirmos uma bolsa, são (necessárias) oito mulheres ou um homem. Conseguir pelo menos um homem por dia para doar não é fácil”, destaca Emília.

Bia, como é conhecida na família, começou o tratamento em época de férias, quando os estoques de sangue no Hemocentro caem consideravelmente. Depois, vieram o carnaval e a Páscoa, quando, segundo a Fundação Hemocentro de Brasília (FHB), também há uma queda na demanda de candidatos à doação. Ainda de acordo com o órgão, os principais motivos apresentados pelos doadores são a falta de tempo e viagens. “Tiveram dias em que a Bia não tinha sangue. Nesse caso, podemos controlar a situação com medicamentos, mas isso prejudica muito o organismo dela”, ressalta Emília.

Sintomas

A luta de Beatriz começou pouco tempo depois de receber a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) provisória. Ela sentia fraqueza e ficava doente constantemente. Em setembro, foi internada pela primeira vez e soube que estava com a imunidade baixa. Depois de sete dias à base de antibióticos, teve alta. “Como estava com tosse, cogitaram ser asma. Mas, pouco tempo depois que ela voltou para casa, a gengiva começou a sangrar. Voltamos para o hospital e pediram exames mais detalhados”, relembra a mãe.

No dia em que o resultado do exame de sangue ficou pronto, a família recebeu uma ligação. “Pediram para interná-la imediatamente. Já começaram com a quimioterapia e as transfusões de sangue.” Beatriz contabiliza mais de 10 internações. Além disso, tudo mudou após o diagnóstico. A faculdade precisou ser trancada, a jovem não vê os amigos há pelo menos seis meses, nem a mãe pode chegar perto.

Enquanto isso, a família não deixou de fazer campanha para doação de sangue. Nas redes sociais, o pedido é de que qualquer pessoa doe para salvar não só a vida da Bia, mas de várias pessoas que precisam também. “Por onde passamos, os profissionais de saúde comentam que as pessoas foram doar em nome da Bia”, revela Emília. “Ela vai voltar a estudar, vai comprar o carro dela, e terá uma vida normal. Quero que ela vá ao cinema, para a faculdade”, salienta Emília, emocionada.

Depoimento

“Eu estou bem. As minhas expectativas são boas, quero voltar para a faculdade, voltar para o hipismo, continuar fazendo o que eu gosto, de preferência curada. Boa parte foi horrível, ficar (no hospital) é uma tortura, mas, já que é para o meu bem, tenho de ficar. Uma doação salvou a minha vida. Então, acho que é importante que quem possa doar faça esse ato, porque salvou a minha vida e pode salvar milhões de outras pessoas que precisam do mesmo tratamento ou de doação em geral, tanto de medula e plaqueta quanto de sangue. De qualquer forma, a doação salva vidas, porque ainda tem gente que precisa mais do que eu.”

Beatriz Luna de Andrade, 19 anos, estudante de medicina veterinária

Satisfação e necessidade

A Fundação Hemocentro de Brasília recebe, por ano, cerca de 60 mil doadores. Desses, 42% doam frequentemente, enquanto 58% são esporádicos. O perfil mais comum é de homens jovens, entre 18 e 35 anos, com ensino médio completo. Para o órgão, o que motiva as pessoas é a satisfação e a certeza de que o ato de doar ajudará a salvar a vida de alguém, independentemente de ser uma pessoa conhecida ou não. Outro motivo também observado se deve à necessidade de um parente ou conhecido.

Mitos e verdades da doação de sangue

A doação não emagrece ou engorda;
 
Não afina ou engrossa o sangue;


Não oferece risco de contaminação;

Não vicia;

Não deve ser realizada em jejum;

Pode ser feita à tarde.
Quem pode e como doar

Ter entre 16 e 69 anos (para os que tiverem 16 ou 17 anos, é necessário apresentar autorização do responsável);

O idoso precisa ter iniciado a doação antes dos 60 anos na FHB;

Pesar acima de 50kg;

Ter mais de 1,50m;

Estar em boas condições de saúde (o doador passa por avaliação médica no local);

Apresentar documento oficial com foto, sem danos;

Ter dormido pelo menos 6 horas, com qualidade, na noite anterior à doação;

Não realizar exercícios físicos ou ingerir bebidas alcoólicas 12h antes da doação;

Para quem colocou piercing, fez tatuagem ou maquiagem definitiva, será necessário aguardar 12 meses;

Nos casos de realização de endoscopia ou de outros exames invasivos, será preciso esperar 6 meses;

Evitar fumar 2h antes e 2h depois da doação;

Quem esteve em zonas endêmicas de malária está inapto a doar por 1 mês ou, caso tenha residido em um desses locais, por 3 anos;

Atualmente, devido ao surto de zika vírus no Nordeste do país, tornaram-se inaptos, pelo período de um mês, quem esteve em qualquer estado daquela região.


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