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Crise na segurança pública do Espírito Santo corre o risco de se agravar

Agentes decidem hoje se cruzam os braços em busca de melhorias nas condições de trabalho no estado

A população do Espírito Santo enfrenta hoje o sexto dia de caos na segurança pública, em decorrência do aquartelamento de policiais militares. E as perspectivas não são das melhores. Os policiais civis decidem, hoje à tarde, em assembleia, se entram em greve. O presidente do Sindicato dos Policiais Civis do Espírito Santo (Sindipol), Jorge Emílio, destaca que os problemas enfrentados pela categoria serão levados em conta na hora da decisão. “A Polícia Civil também está sucateada. Os mesmos problemas enfrentados pela PM são enfrentados por nós também. Nós vamos apresentar tudo isso em assembleia e a categoria vai decidir se entra em greve ou não. Será uma decisão tomada por todos, pois sabemos que impacta na sociedade”, destaca.

Segundo dados do Sindipol, o número de mortes chegou a 95 até o meio-dia de ontem. O número de assaltos, atos de vandalismo e de homicídios se multiplicam em Vitória e em cidades do interior. Em dias comuns, o registro é de duas mortes a cada 24 horas. Mas, por uma ordem informal do governo, as listas com os nomes das vítimas e registros dos crimes deixaram de ser atualizados. As tropas do Exército e da Força Nacional não estão sendo suficientes para conter o grande número de crimes. Cidades do interior do estado continuam sem patrulhamento algum.

Mônica Queiroz, de 36 anos, moradora de Vitória, afirma que não está saindo de casa por conta dos atos de violência. “A sensação de insegurança é geral em todas as cidades. Meu marido não está indo trabalhar desde o começo da semana. A empresa dele resolveu dispensar os funcionários por conta dos casos de violência. Quem se atreve a andar nas ruas aqui de Vitória está sendo assaltado”, conta. Desde sábado, cerca de 500 veículos foram roubados em todo o estado.

Em razão da morte de um investigador da Polícia Civil, durante tentativa de impedir um assalto a um motociclista, policiais civis realizaram ontem uma paralisação de 24 horas. Após saírem do velório do policial Mário Marcelo de Albuquerque, da Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa da Polícia Civil, os agentes caminharam até um dos quartéis da PM que está bloqueado por parentes dos policiais. Em frente à unidade, policiais civis gritaram palavras em apoio aos colegas.

O ministro da Defesa, Raul Jungmann, anunciou que mais 550 homens das Forças Armadas serão enviados ao estado. Outros 100 militares da Força Nacional estão a caminho do Espírito Santo. Os novos efetivos terão como objetivo reforçar a segurança em cidades do interior, onde a situação está cada vez mais grave.

Já uma portaria publicada no Diário Oficial do Espírito Santo transfere o comando operacional dos órgãos de segurança do estado para o general de brigada Adilson Carlos Katibe, do Exército Brasileiro. Segundo a assessoria de imprensa do Ministério da Defesa, esse é um procedimento comum por conta da atuação das Forças Armadas na região. A segurança pública fica sob o comando do general Adilson até o dia 16, podendo ser prorrogada.

Críticas

Ontem, o governador do Espírito Santo, Paulo Hartung, anunciou que vai reassumir o cargo na próxima semana, segundo determinado pelos médicos que o acompanham. Ele convocou uma entrevista coletiva na residência oficial do governo em que, na primeira parte, falou sobre sua situação médica. Hartung fez um apelo aos policiais militares e classificou como “chantagem” a paralisação que começou no sábado e levou o caos ao estado. Segundo ele, o motim dos policiais “é o mesmo que sequestrar o direito do cidadão capixaba e cobrar resgate”. Ele afirmou ainda que, para atender a reivindicação dos policiais, o rombo nos cofres do Espírito Santo seria de R$ 500 milhões.

Hartung passou por um procedimento cirúrgico na sexta-feira, para a retirada de um tumor na bexiga. Ele foi ao Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, para a realização de um exame de imagem e os médicos decidiram operá-lo imediatamente. Segundo eles, o tumor estava em fase inicial.

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