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Estiagem Seca mais grave dos últimos 110 anos castiga 975 cidades no país Presidente Michel Temer anunciará em Maceió o repasse de R$ 755 milhões para 759 municípios de 15 estados afetados

Por: Alessandra Mello

Publicado em: 27/12/2016 08:27 Atualizado em:

Em Sertânia, interior de Pernambuco, a imagem de uma das piores secas da história do país: temor de especialistas é que situação possa piorar. Foto: Annaclarice Almeida/DP
Em Sertânia, interior de Pernambuco, a imagem de uma das piores secas da história do país: temor de especialistas é que situação possa piorar. Foto: Annaclarice Almeida/DP
A cinco dias do fim de 2016, o Nordeste completa o quinto ano consecutivo da pior seca dos últimos 100 anos, segundo avaliação dos principais pesquisadores do tema. O Ceará, estado com maior número de depósitos de água da região, atesta uma situação crítica em consequência da falta de chuvas. Dos 153 principais reservatórios da unidade da Federação, 135 estão com volumes de água inferiores a 30%, sendo a maioria com apenas um dígito. A situação se repete pelo país. Segundo o Ministério da Integração Nacional, há 975 municípios reconhecidos pelo governo como em situação de seca ou estiagem.

Nesta terça-feira, o presidente Michel Temer anunciará em Maceió o repasse de R$ 755 milhões para 759 municípios de 15 estados afetados. Esta será a segunda viagem de Temer ao Nordeste, onde tem baixa popularidade. Na busca por agendas positivas, o presidente anunciará o repasse imediato de R$ 230 milhões voltados para a construção de 46 mil cisternas para produtores rurais. O restante dos recursos tem previsão de ser entregue no início do ano que vem. Parte do montante — R$ 250 milhões — vem da repatriação de recursos do exterior. Há também valores previstos na Lei Orçamentária e prorrogação de contratos e convênios.
 
As medidas ocorrem em um ano em que a seca não só foi prolongada, mas intensificada. “Foi a maior seca de longo prazo dos últimos 100 anos. E atingiu nível máximo de excepcionalidade em todo o Nordeste entre outubro e novembro deste ano, o que fez a seca se estender às regiões litorâneas, que acabavam se beneficiando com o mar”, explicou Raul Fritz, supervisor da Unidade de Tempo e Clima da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme).

O meterologista explica que, desde 2012, as chuvas no Ceará, que “tipificam” os registros pluviométricos no Nordeste foram todas muito abaixo das médias estaduais. Para conseguir uma recarga dos reservatórios, seriam necessários dois meses consecutivos de chuvas acima da média histórica. Segundo Fritz, se as obras de transposição do Rio São Francisco tivessem sido concluídas, poderia ser mais fácil fazer o resgate da água. Enquanto isso, obras de desalinização e de poços amenizam a situação, mas não necessariamente a obtenção de água potável. “Só neste ano, foram perfurados perto de 3 mil poços, mas nem todos dão uma vazão adequada, uma boa qualidade de água. Muitas vezes a água vem salina, insalubre”, afirma.

Transposição
Nesta manhã, em evento com o governador de Alagoas, Renan Filho (PMDB), o presidente anunciará o objetivo de implementar cisternas em todas as escolas do semiárido, beneficiando 595 mil alunos. Os estados considerados em situação mais crítica receberão dinheiro: Acre, Alagoas, Amapá, Amazonas, Bahia, Ceará, Maranhão, Minas Gerais, Pará, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul e Sergipe. Além da previsão de construção de cisternas, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, assinou ontem um contrato com o governo federal para emprestar bombas do sistema Cantareira para a Paraíba e Pernambuco.

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