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Bioma Ambientalista defende diálogo para o desenvolvimento sustentável do Cerrado

Por: Agência Brasil

Publicado em: 11/09/2015 19:13 Atualizado em:

Em comemoração ao Dia Nacional do Cerrado, o Jardim Botânico de Brasília inaugura o Centro de Excelência do Cerrado (Cerratenses), destinado a pesquisas e projetos ambientais. Foto: Elza Fiúza/Agência Brasil
Em comemoração ao Dia Nacional do Cerrado, o Jardim Botânico de Brasília inaugura o Centro de Excelência do Cerrado (Cerratenses), destinado a pesquisas e projetos ambientais. Foto: Elza Fiúza/Agência Brasil
Em tempos de busca de soluções para as mudanças climáticas e de pressão para a produção de mais alimentos, a abertura de diálogo entre os diversos setores produtivos e de conservação é a melhor forma de promover o desenvolvimento sustentável no Cerrado. Esta é a posição defendida pelo ambientalista e fundador da Fundação Mais Cerrado, Bruno Mello, no Dia Nacional do Cerrado, comemorado hoje (11). “Não dá para os setores caminharem sozinhos. O ambientalista tem que conversar com o agricultor e ver a melhor forma de ter um desenvolvimento sustentável, mas que preserve os recursos naturais. Até para ele poder manter por muitos anos a produção e as comunidades em volta não sentirem tanto o impacto”, disse.

O Cerrado, segundo o ambientalista, é considerado pelo agronegócio uma boa área para plantio, já que as existem poucas árvores, as áreas são planas e há boa oferta de água. “E a imagem de que a agricultura é a solução para o país coloca mais pressão sobre o bioma”. Ele defende uma evolução ambiental no Cerrado para que a sociedade não venha sofrer com outras crises naturais. “Nós vemos como um novo momento mesmo. Temos essas crises climática e hídrica e daqui a pouco vamos ter a crise das pestes. Esse calor e falta de água favorece a proliferação de mosquitos e bichos, o que traz doenças para a população. É o que já vem acontecendo em São Paulo e outros lugares que têm problema de infestação de pestes”, alertou.

O Cerrado é o segundo maior bioma da América do Sul, ocupando uma área de mais de 2 milhões quilômetros quadrado. Mas, desse total, segundo Bruno Mello, somente 20% estão preservados e 5% são áreas prioritárias, com uma grande biodiversidade e aquíferos. Originalmente o bioma abrange os estados de Goiás, do Tocantins, de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, da Bahia, do Maranhão, Piauí, de Rondônia, do Paraná, de São Paulo e do Distrito Federal, além de pequenas porções no Amapá, em Roraima e no Amazonas.

As nascentes das três maiores bacias hidrográficas da América do Sul - Amazônica/Tocantins, São Francisco e Prata – estão no Cerrado. “Praticamente 80% da água de todo país nascem no Cerrado. Ele acabando, essa água vai acabar junto”, disse o ambientalista, explicando que o solo do Cerrado é muito poroso, devido às grandes raízes das árvores, e consegue armazenar muita água. “Pelo fato de interligar os biomas do Brasil, mexer com o Cerrado, mexe com todos ecossistemas”.

Mello participou hoje da inauguração do Centro de Excelência do Cerrado, o Cerratenses, no Jardim Botânico de Brasília. O espaço, segundo o governo do Distrito Federal, será dedicado para pesquisas em cooperação com várias entidades governamentais e não governamentais, para a valorização do Cerrado, da cultura e pelo desenvolvimento de novas tecnologias para a proteção do bioma.

A inauguração do Cerratenses faz parte da 1ª Virada do Cerrado, que ocorre de hoje até domingo (13), no Distrito Federal, com atividades em várias regiões da capital. A programação completa está disponível no site da virada.


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