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Doente mental » Juíza nega que tenha errado ao soltar Cadu, assassino confesso de Glauco De acordo com a juíza, Cadu ia mensalmente ao psiquiatra e ao psicólogo e que esses profissionais enviavam relatórios mensais à Justiça

Renata Mariz - Correio Braziliense

Publicação: 03/09/2014 07:47 Atualização:

Assassino confesso do cartunista Glauco, Carlos Eduardo é suspeito de ter cometido um latrocínio em Goiânia. Foto: Edilson Pelicano/DM (Edilson Pelicano/DM)
Assassino confesso do cartunista Glauco, Carlos Eduardo é suspeito de ter cometido um latrocínio em Goiânia. Foto: Edilson Pelicano/DM
A prisão de Carlos Eduardo Sundfeld Nunes, assassino confesso do cartunista Glauco e do filho dele, suspeito agora de um latrocínio, reacendeu o debate sobre o momento adequado para a Justiça liberar doentes mentais que praticaram crimes. Em entrevista coletiva, ontem, a juíza Telma Aparecida Alves Marques, da 1ª Vara de Execução Penal (VEP) de Goiânia, que determinou a soltura do rapaz de 29 anos do hospital psiquiátrico em que cumpria medida de segurança por sofrer de esquizofrenia, negou que tenha cometido um erro. “Os laudos apresentados atestaram que ele não oferecia risco e foi com base neles que eu o coloquei em liberdade”, enfatizou, referindo-se aos exames médicos necessários para a desinternação, ocorrida em agosto de 2013.

Telma acrescentou que Cadu, como é conhecido, ia mensalmente ao psiquiatra e ao psicólogo e que esses profissionais enviavam relatórios mensais à Justiça. “Inclusive, o último que eu tenho é de julho, e atestou que ele sofre esquizofrenia”, afirmou a juíza. De acordo com os documentos, segundo ela, Cadu fazia faculdade de psicologia e trabalhou no call center de uma empresa de telefonia que, no entanto, o demitiu após descobrir que ele tinha medida de segurança. Ele passou a limpar piscinas. Ainda conforme Telma, ele fazia tratamento em um Centro de Atenção Psicossocial (Caps) de Goiânia e comparecia mensalmente no Programa de Atenção Integral ao Louco Infrator (Paili), serviço da Secretaria Estadual de Saúde que substituiu os manicômios judiciários em Goiás.

A família de Glauco, entretanto, manifestou-se por meio do advogado que a representa, Alexandre Khuri Miguel, que os novos crimes de Cadu são uma “tragédia anunciada”. Ele criticou o Judiciário, os psiquiatras que atestaram a sanidade de Cadu e os parentes do rapaz por não terem cuidado dele. O pai de Cadu esteve na delegacia, mas não falou com a imprensa. O delegado que cuida do caso, Tiago Damasceno, declarou ontem que o rapaz parece ser mais dissimulado do que doente mental. Cadu, com um suposto parceiro, é acusado de um latrocínio consumado e uma tentativa. Ele negou. Há suspeita de que ele seja integrante de uma quadrilha de roubo de carros, além de ter problemas com drogas.

Estigma
Apesar da lista extensa de acusações contra Cadu, psiquiatras e psicólogos são unânimes em afirmar que não há relação direta entre loucura e crime. “Devidamente tratados, os doentes mentais com comportamento violento em decorrência do problema de saúde são menos perigosos que os ditos normais, que têm três vezes mais chances de delinquir do que esquizofrênicos medicados, de acordo com a literatura científica”, afirma o psiquiatra Luiz Carlos Illafont Coronel, ex-diretor do Instituto Psiquiátrico Forense do Rio Grande do Sul.

Ele ressalta que há “técnica forense bastante completa” para determinar a necessidade de internação e a conveniência de desinternar o paciente, mas sem garantia de que o indivíduo não reincidirá, o que vale para qualquer pessoa, doente mental ou não. No mesmo sentido, a juíza Telma provocou, durante entrevista à imprensa: “Ninguém pode dizer que nenhum dos senhores estão livres de cometer qualquer delito. Isso não tem como atestar”. Ela informou ainda que só houve dois casos de reincidência, um deles sendo o Cadu, no universo de 306 pacientes de medida de segurança acompanhados pelo Judiciário. “A reincidência por medida de segurança é mínima em relação a reincidência de quem sai do fechado para o semiaberto”, frisou.

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