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Abuso sexual » A rede de Abdelmassih MP suspeita que policial integrante da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo estava entre os colaboradores que ajudaram o ex-médico a fugir para o Paraguai e se esconder das autoridades brasileiras

Correio Braziliense

Publicação: 31/08/2014 15:55 Atualização:

O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) investiga se um policial do estado colaborava com Roger Abdelmassih e sua rede de informantes para que o ex-médico, condenado a 278 anos de prisão por estupros, continuasse escondido no Paraguai. Os promotores têm interceptações telefônicas que flagram Abdelmassih dizendo a um familiar o apelido desse policial. Em uma delas, o ex-médico diz que o agente é “amigo” de um dos seus colaboradores financeiros, e ainda “trabalharia na Secretaria de Segurança Pública” na capital paulista. Não há confirmação, porém, se o funcionário público pertence à Polícia Civil ou à Polícia Militar. A Secretaria da Segurança Pública (SSP) informou que investiga o caso.

Na conversa por telefone, gravada com autorização judicial, Abdelmassih diz que o policial poderia ser procurado por seu grupo para vazar dados sigilosos das 15 denúncias que o Programa de Recompensas recebeu sobre supostos paradeiros do ex-médico. O áudio não menciona dinheiro em troca das informações. O grampo também mostra Abdelmassih pedindo a um familiar que acione seu grupo de colaboradores para procurar o policial e confirmar com ele os locais das denúncias. A ideia do ex-médico era apurar se alguma dessas informações indicava o local exato onde ele estava. A escuta não mostra se os informantes encontraram o policial ou se ele teria passado os dados.

Na interceptação, Abdelmassih se diz “abatido” e demonstra preocupação de que o esconderijo fosse descoberto. O ex-médico comenta, por exemplo, sobre a possibilidade de a Polícia Federal (PF) estar envolvida nas buscas. A gravação ocorreu duas semanas antes de Abdelmassih, 70 anos, ser preso em Assunção. Na capital paraguaia, ele usava o nome falso de Ricardo Galeano e morava numa casa de luxo alugada com a mulher, a ex-procuradora da República Larissa Sacco, 37, e os filhos gêmeos do casal.

Cúmplices

Se for comprovado que o policial repassou para o procurado informações sigilosas de denúncias do paradeiro dele, o agente poderá responsabilizado criminalmente. Caso seja demonstrado que Abdelmassih e sua rede de informantes tentaram cooptar um agente público, eles também poderão responder por outros crimes, como favorecimento pessoal e formação de quadrilha. Para o MP, pelo menos cinco pessoas são consideradas suspeitas de facilitarem ou serem cúmplices da fuga do ex-médico para o Paraguai e devem ser indiciadas.

A defesa de Abdelmassih não se manifestou sobre o assunto. Formalmente, ele foi acusado de estupro contra 39 ex-pacientes, mas como algumas relataram mais de um crime, há 56 acusações contra ele. Desde que foi denunciado pela primeira vez, Abdelmassih negou por diversas vezes ter praticado crimes sexuais contra pacientes. Ele alega ser vítima de um “movimento de ressentimentos vingativos”. Abdelmassih também já chegou a afirmar que as mulheres que o acusam podem ter sofrido alucinações provocadas pelo anestésico propofol.

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