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Boato » Mineiras são alvo de falsa notícia sobre cidade com população só de mulheres bonitas e solteiras

Estado de Minas

Publicação: 29/08/2014 11:02 Atualização: 29/08/2014 11:09

 (Reprodução)
O distrito mineiro de Noiva do Cordeiro, comunidade de Belo Vale, a 100 quilômetros de Belo Horizonte, na Região Central de Minas, virou manchete em jornais internacionais esta semana. O “frisson” da imprensa estrangeira é sobre a solteirice das moradoras da cidade.

A mídia noticiou que a localidade tem população somente de mulheres, bonitas e loucas para arrumar namorados.

A repercussão da tal “campanha” em busca de homens deixou as jovens insatisfeitas e agora a agência de notícia inglesa BBC publicou matéria desmentindo o boato internacional.

 (Reprodução)
As matérias sobre a procura por homens tinham as seguintes manchetes: “Cidade no Brasil composta inteiramente por mulheres faz apelo por solteiros”, “Alerta a todos os solteiros: esta cidade é inteiramente composta por mulheres extremamente atrativas - e elas estão em busca de homens”, “Cidade cuja população é inteiramente de mulheres bonitas e jovens faz apelo por homens solteiros”.

Tudo indica, segundo a agência de notícias, que as reportagens foram traduzidas e publicadas fora do contexto, o que causou a impressão do desespero na solteirice. Os textos teriam sido retirados de uma entrevista, de 2009, concedida por moradoras a uma revista feminina.

Sites britânicos, turcos, tailandeses, norte-americanos, italianos e indianos, retorceram a história e colocaram o vilarejo como terra natal de "600 mulheres exóticas e solteiras", todas entre "20 e 25 anos". Conforme a BBC, os textos atraíram muitos leitores estrangeiros - a ponto de chegar ao topo da lista de mais lidas do jornal britânico The Telegraph.

 (Reprodução)
As fotos das reportagens, que mostram as mulheres em poses e trajes provocantes, foram retiradas do Facebook da comunidade. Nas imagens feitas em uma festa à fantasia, as mulheres estão caracterizadas. Os sites também usaram fotos das moradoras com uma apresentadora de TV durante uma reportagem feita na localidade.

As mulheres de Noiva do Cordeiro enfrentaram por mais de um século o preconceito. No fim do século 19, Maria Senhorinha de Lima, natural de Roças Novas, povoado de Belo Vale, se casou com o francês Arthur Pierre. Três meses depois, infeliz, abandonou o lar e foi morar com Francisco Augusto Fernandes de Araújo, onde hoje está a comunidade de Noiva do Cordeiro. A atitude foi condenada e os dois, rotulados de pecadores, tiveram amaldiçoada sua descendência por gerações.

Nos anos seguintes, em toda a redondeza, a atitude corajosa de Senhorinha ganhou mais olhares de reprovação. Mas o casal tocou a vida, construiu casa e criou 12 filhos. A situação se complicou novamente em meados do século passado, quando Anísio Pereira, neto de Francisco e marido de dona Delina, fundou a seita protestante Noiva do Cordeiro, que batiza o lugarejo, e converteu toda a família, agravando as relações com parentes e vizinhos católicos. Novo período de polêmica e perseguições.

Em 1990, um rompimento completo abalou a comunidade, permanecendo no local, que tem 46 moradias e onde todos são parentes, apenas os que defendiam uma sociedade temente a Deus, mas sem qualquer religião. Em 2007, a história da família ganhou documentário de TV e rodou mundo. Hoje, respeitada pela maioria dos belo-valenses, a comunidade tem ajudado a promover a cultura na região.

O grupo Noiva do Cordeiro Show, com 32 artistas qualificados por oficinas de dança, teatro e música, fundado em família, cumpre agenda intensa em projeto itinerante de inclusão social. As jovens já sepultaram a segregação da comunidade e ganharam respeito como referência em arte.

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