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Trânsito » Jovens entre 20 e 29 anos são os que correm mais riscos ao volante A faixa etária engloba pessoas pouco experientes na direção e frequentadores de festas com bebidas

Thaís Paranhos - Correio Braziliense

Publicação: 25/08/2014 09:34 Atualização:

As principais vítimas da violência no trânsito são jovens entre 20 e 29 anos, tanto no Brasil quanto no Distrito Federal. Uma combinação de fatores, como inexperiência, imprudência e consumo de álcool, tornam esse grupo um dos mais vulneráveis às mortes no asfalto. Das 211 pessoas que perderam a vida nas vias do DF entre janeiro e junho de 2014, 26,5% (56) estavam dentro dessa faixa etária, segundo o Departamento de Trânsito (Detran). O número de homens mortos é três vezes maior do que o de mulheres — 161 contra 50 do sexo feminino. Durante todo o ano de 2012, foram 392 óbitos — 26,7% (105) entre jovens. Em 2013, o número chegou a 357 — 25,7% (92) entre 20 e 29 anos. 

O comportamento de risco associado ao consumo de álcool por jovens paulistas foi explorado por pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). O estudo apontou que a irresponsabilidade pode começar antes da balada, pois 56% dos entrevistados disseram que já saem de casa com a intenção de ficarem embriagados. A pesquisa apontou também que 57% dos jovens já pegaram carona com alguém que bebeu antes de dirigir. O mais grave é que quase um terço dos jovens admitiu dirigir depois de ingerir bebida alcoólica.

Essa realidade, no entanto, não é exclusiva de São Paulo. No Distrito Federal, os jovens têm resistência em cumprir a Lei Seca, mesmo seis anos após a regra entrar em vigor. O universitário Pedro*, 22 anos, morador do Guará, admite assumir a direção depois de beber. “Brasília foi planejada para o carro. Se você não mora no Plano Piloto, fica difícil de se locomover porque o transporte público não funciona até tarde”, justifica. O estudante reconhece os riscos dessa atitude. “Sei que coloco a minha vida e a de outras pessoas em risco. Mas, quando bebo demais, deixo o carro em algum lugar. Tenho um limite”, completa.

Assim como ele, o universitário Juan*, 22 anos, morador de Taguatinga, reconhece o comportamento. Ele, inclusive, perdeu a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) há seis meses depois de se recusar a fazer o teste do bafômetro. Juan bateu o carro e, enquanto ajudava a motorista do outro veículo, um carro do Detran se aproximou e solicitou o exame. “Meu caso foi julgado e vou ficar dois anos sem carteira. Depois de passar por tudo isso, não vou mais pegar o carro depois que beber”, diz.

Já a estudante Paula Vieira, 19 anos, moradora de Águas Claras, depende de carona para sair à noite. Ela confessa ter voltado para casa com amigos que beberam antes de dirigir, mas diz que sempre procura uma outra forma de sair em segurança. “É difícil porque não tenho carro e não moro no Plano Piloto. Táxi também é muito caro. Existem algumas situações em que fico com muito medo de pegar carona. Por isso, já fui embora cedo de festa, já que a pessoa que não bebeu decidiu ir embora antes”, conta. Opinião compartilhada pelas amigas Mariana Figueiredo, 18, e Natália Rincon, 20. “Quando saio e sei que vou beber, fico na festa até me sentir bem para dirigir ou durmo na casa de uma amiga”, complementa Natália.

Pressão social
O pesquisador e colaborador da Universidade de Brasília (UnB) e professor do Centro Universitário de Brasília (UniCeub) Fábio de Cristo explica que alguns fatores contribuem para os jovens insistirem na combinação álcool e direção. O primeiro deles é a pressão dos amigos. “Os colegas falarem que sair e beber não tem problema é uma pressão, faz com que a pessoa ache natural agir assim. E ela não vai ser reprovada pelo comportamento”, explica. Isso, segundo ele, explica o fato de os jovens aceitarem pegar carona com quem ingeriu bebida alcoólica.

Outra questão importante, segundo Cristo, é a atitude do jovem. “Para a psicologia, a atitude é a disposição favorável ou não de fazer. Quanto mais você avalia favoravelmente a beber e dirigir, maior será sua motivação para fazer”, justifica. Perceber a facilidade ou não de tal comportamento também é outro fator que pode influenciar na decisão. “Se o jovem percebe que é difícil, burocrático e custoso, vai desistir de fazer”, diz.

As irmãs Nayara e Tayná Rodrigues, de 20 e 18 anos, respectivamente, fazem parte do grupo dos jovens que não bebem e não cedem à pressão dos amigos. “Não bebo por opção e, sempre que saio, carrego um monte de gente. Não deixo um amigo que bebeu dirigir”, afirma Nayara. Para não correr o risco de pegar uma carona com alguém embriagado, as irmãs sempre saem de carro. “Uma amiga morreu em um acidente. Acho que falta conscientização das pessoas”, lamenta.

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