• (0) Comentários
  • Votação:
  • Compartilhe:

Reintegração de posse » Polícia despeja ocupantes de terreno em Duque de Caxias, no Rio

Agência Brasil

Publicação: 21/08/2014 21:15 Atualização:

Cerca de 30 famílias foram despejadas, na tarde de hoje (21), de um terreno onde funcionava um laboratório de febre aftosa, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, por policiais militares, mesmo sem ordem judicial. A ocupação, batizada de Solano Trindade, foi organizada no último dia 8 pelo Movimento Nacional de Luta pela Moradia (MNLM-RJ), que selecionou famílias do município atingidas por enchentes ou que aguardam no cadastro do Programa Minha Casa, Minha Vida.

Até o momento, as famílias permanecem na entrada do local, onde há vários prédios do antigo Centro Panamericano de Febre Aftosa. Elas não sabem de quem partiu a ordem de despejo, e aguardam autorização para entrar no terreno apanhar seus pertences. Segundo uma das integrantes da coordenação do MNLM, Maria de Lourdes Lopes, os policiais foram até o local acusando moradores de roubarem água.

“Eles chegaram aqui dizendo que nós tínhamos roubado água e que todas as famílias deveriam sair das casas, senão sairiam algemadas. As famílias saíram de casa, com eles gritando; eles lá dentro e as famílias do lado de fora. Nossa intenção é voltar para dentro de casa e ver o que essa polícia é capaz de fazer sem nenhuma ordem, sem nada. Nós pegamos água da Cedae [Companhia Estadual de Águas e Esgotos] para as famílias utilizarem, óbvio, mas isso não significa que não iremos regularizar a água”, disse Maria de Lourdes.

De acordo com ela, o terreno está sendo negociado para que futuramente vire moradia popular para as famílias de Duque de Caxias. “Esse terreno pertence ao Incra [Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária], está sendo negociado pela Secretaria de Patrimônio da União (SPU), que coordena os imóveis públicos federais, e está sendo negociado conosco para habitação de interesse social das famílias aqui de Caxias desde 2012”, explicou.

Em nota, o Incra informou que em dezembro de 2013 deu à prefeitura "autorização provisória" para ocupar a área. A autorização tem duração de dois anos, está em vigor, e no local a prefeitura pretende  implantar um polo de desenvolvimento de moda, arte e cultura. Perguntado sobre quem solicitou a reintegração de posse, o instituto informou que tomou conhecimento da ocupação por meio da SPU,e o pedido de reintegração de posse partiu do antigo laboratório que funcionava no local.

A reportagem tentou contato com representantes do Centro Panamericano, sem sucesso,  e a PM informou apenas, em nota, que “reforçou preventivamente o policiamento na Avenida Presidente Kennedy, no bairro São Bento, já que não havia ordem judicial”.

Esta matéria tem: (0) comentários

Não existem comentários ainda

Comentar

Para comentar essa notícia entre com seu e-mail e senha

Caso você não tenha cadastro,
Clique aqui e faça seu cadastro gratuito.
Esqueci minha senha »

Os comentários abaixo não representam a opinião do jornal Diario de Pernambuco; a responsabilidade é do autor da mensagem.