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Questão indígena » Funai investe na aproximação com índios isolados no Acre

Agência Brasil

Publicação: 12/08/2014 21:30 Atualização:

Um grupo de 24 índios, que viviam isolados no Acre, está em contato permanente com a Fundação Nacional do Índio (Funai), na Base de Proteção Etnoambiental Xinane. A informação foi divulgada hoje (12), em entrevista coletiva concedida pela presidenta do órgão indigenista, Maria Augusta Assirati, por funcionários da fundação e pela diretora do Departamento de Atenção à Saúde Indígena da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), Danielle Cavalcante.

Ainda não é possível definir o número de índios isolados na região, informou o coordenador-geral de Índios Isolados e Recém Contatados da Fundação Nacional do Índio (Funai), Carlos Lisboa Travassos, uma das 15 pessoas – entre tradutores e demais técnicos da Funai, sertanistas e servidores vinculados ao Ministério da Saúde – que atuam na base em contato com os povos indígenas.

“Existe, no primeiro momento, uma série de desconfianças sobre a gente, sobre as nossas intenções, sobre o que pode ter acontecido [para gerar a aproximação]”, detalhou Travassos. Ele acredita que as informações poderão ser obtidas posteriormente. “É uma relação de confiança que se estabelece à medida em que você cria vínculos maiores com esses grupos”, acrescentou.

Já o coordenador de Proteção e Localização de Índios Isolados da Funai, Leonardo Lenin, explicou que pressões geradas por madeireiras, grileiros e outros grupos econômicos em geral provocam mudanças na vida dos indígenas e também a busca por contato. No caso dos povos que estão na Base de Proteção Etnoambiental Xinane, os técnicos da Funai contam que os índios relataram situações de perigo e medo. As circunstâncias da aproximação e a origem dessas pressões ainda estão sendo investigadas.

Como esse grupo vive em uma área próxima à fronteira com o Peru, a Funai, por meio do Itamaraty, enviou “um conjunto de perguntas e averiguações para que o governo peruano possa nos ajudar no processo de averiguação”, segundo a presidenta Maria Augusta. As informações chegaram hoje ao Brasil e ainda serão analisadas. “Com as respostas que o governo do Peru nos mandou, vamos buscar formas de atuar em conjunto para realizar a proteção não só desse grupo que fez contato, mas também de outros que vivem na região”, destacou.

Em 2011, a ação de traficantes na fronteira dos dois países levou o governo brasileiro a enviar tropas da Força Nacional e do Exército para a região. Então, indigenistas declararam temer agressões contra os povos isolados.

Neste ano, a aproximação dos primeiros do grupo de 24 índios se deu no dia 26 de junho, quando cinco homens e duas mulheres estabeleceram contato com povos da etnia Ashaninka, na Aldeia Simpatia, e com a equipe da Frente de Proteção Etnoambiental Envira da Funai, que monitora quatro grupos de povos isolados na região. O encontro foi registrado em vídeo, por técnicos da Funai, e provocou a intervenção do órgão, por meio de um Plano de Contingência para Situações de Contato.

Segundo a Sesai, os sete índios tiveram leves problemas de saúde, e por isso foram levados para a Base Xinane, que foi reativada para recebê-los. Lá, eles foram tratados e feitos exames para identificar as doenças já contraídas ao longo da vida. Depois de retornarem para as malocas onde vivem, cuja distância da base ainda não foi possível precisar, os índios voltaram sucessivamente ao local.

Em toda a Amazônia brasileira existem 104 registros da presença de índios isolados. Do total, 26 são confirmados e acompanhados pela Funai, cuja política objetiva proteger territórios, respeitando a autonomia e o modo de vida tradicional dos povos indígenas. Isso significa que a intervenção só ocorre quando é detectada situação de risco extremo.

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