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Belo Horizonte » Nascimento de gorila eleva Fundação Zoo-Botânica a centro de conservação da espécie Depois de 21 anos de muitas tentativas, zoo de BH comemora nascimento do filhote de Lou Lou e Leon, o primeiro da América do Sul. E a outra fêmea deve dar à luz em setembro

Junia Oliveira -

Publicação: 06/08/2014 10:04 Atualização:

Macho Leon fica o tempo todo ao lado de Lou Lou, que mantém sempre no colo o filhote nascido no fim da madrugada de ontem. Foto: Suziane Fonseca/Divulgação
Macho Leon fica o tempo todo ao lado de Lou Lou, que mantém sempre no colo o filhote nascido no fim da madrugada de ontem. Foto: Suziane Fonseca/Divulgação

Um dia histórico para Belo Horizonte. Nasceu ontem o primeiro filhote de gorila no Brasil e na América do Sul. Resultado de um trabalho de duas décadas, o sonho de reprodução em cativeiro finalmente se tornou realidade. A Fundação Zoo-Botânica de BH (FZB) põe sua marca no mundo também ao se firmar como um centro de conservação da espécie. O sexo do mais novo morador do zoo ainda é desconhecido e, por isso, nomes ainda estão fora de cogitação. Mãe e filho passam bem e até presentearam visitantes ao aparecer para tomar sol, no fim da tarde, na companhia do macho Leon e da outra fêmea, Imbi. Ela também está grávida e o gorilinha é aguardado para meados de setembro.

Acredita-se que Lou Lou tenha dado à luz entre as 4h e as 5h. Isso porque, até as 3h30, as câmeras de vigilância instaladas no recinto dos animais registraram a presença do grupo. Durante um período, eles somem da tela e, depois das 5h, todos voltam ao recinto, e Lou Lou está com o filhote nos braços. O nascimento foi descoberto logo no início da manhã pelos primeiros técnicos que chegaram ao trabalho e se surpreenderam com as imagens que acompanham os primatas em tempo real.

Ainda não se sabe onde exatamente foi o parto, pois nenhum funcionário entrou na área de manobra. Um veterinário até tentou chegar mais perto, mas foi logo despachado pelo pai, que jogou feno no profissional. Certo é que Lou Lou se encarregou de tudo. São as próprias gorilas que pegam o filhote ao nascer e cortam com os dentes. O macho acompanhou a mãe por todo canto. Numa das imagens da câmera, foi possível ver Leon acariciando o filhote.

Lou Lou receberá reforço de cálcio na dieta – será decidido ainda se por meio de alimento ou pílula – por causa da amamentação. O mesmo ocorrerá com Imbi. Os filhotes de gorila, que nascem com cerca de 2 quilos, amamentam até 4 anos de idade, mas, a partir dos 6 meses, começa, a comer alimentos sólidos, como frutas, legumes e folhas. 

Assim como a gestação, o desenvolvimento do gorilinha nos próximos dias será levado da forma mais natural possível. Não estão previstos exames e a expectativa é de que o sexo seja conhecido ao acaso. Tratadores e veterinários observarão o comportamento dos animais para saber se há necessidade de intervenção.

Assim como a gestação, o desenvolvimento do gorilinha nos próximos dias será levado da forma mais natural possível. Não estão previstos exames e a expectativa é de que o sexo seja conhecido ao acaso. Tratadores e veterinários observarão o comportamento dos animais para saber se há necessidade de intervenção.

“Ele começará a ficar mais esperto e, numa virada de colo, por exemplo, poderemos ver se é macho ou fêmea”, afirma o diretor da fundação, Gladstone Araújo. Segundo ele, pela primeira vez está  sendo cogitada a possibilidade de quebrar a tradição de escolher nomes de origem africana. “Essa será uma decisão interna, mas estamos pensando num nome tipicamente brasileiro pela importância histórica desse nascimento. É o primeiro gorila mineiro, brasileiro.”

Para quem pensa em ir ao zoológico ver o ilustre morador, a FZB pede calma. Visitas, provavelmente, só daqui a dois meses. Isso porque será respeitado o período de “quarentena”, em que Lou Lou ficará na mais absoluta tranquilidade para ter segurança de sair com o filhote nas áreas abertas do recinto. Logo depois, será a vez de Imbi dar à luz e novo período de sossego deverá ser respeitado. Ontem, as laterais, o túnel e o mirante foram isolados. Os visitantes podem ver de longe, da praça e da calçada próxima à área dos gorilas. A fundação cogita restringir ainda mais o perímetro, para preservar o silêncio e não assustar os animais.

PRIMEIROS VISITANTES


Mas teve gente com sorte ontem. Eram quase 16h quando a família resolveu sair do recinto para tomar sol, depois de ficar recolhida o dia todo. Lou Lou desfilou com o filhote, acompanhada de Leon e Imbi. Durante alguns minutos, ficaram tranquilos. O suíço Gregório Walker, de 41 anos, está com os filhos Jeremy, de 13, e Greice, de 9, há cinco semanas em BH e, ontem, ao saber da novidade, todos foram ao zoo. Depois de passar algumas vezes pelo local, finalmente, conseguiram ver. “Já vimos gorilas, mas um bebê nunca. Não acreditei, tivemos muita sorte”, disse Jeremy. A menina Greice também se encantou: “Sempre quis ver um bebê gorila, estou muito feliz”.

A dona de casa Lindaura de Oliveira do Carmo, de 67, nem parou para tentar. Ela passeava com o genro Antônio Copertino, de 58, e com a neta Yasmin, de 7: “Eles devem ficar sossegados. Não vamos atrapalhar. Teremos muito tempo para ver”. A menina Diana de Guadalupe, de 8, moradora de Tarumirim, no Vale do Rio Doce, fazia a primeira visita ao zoo, com o pai, Fernando Faria, de 33, a mãe, Claudiana, de 31, e a irmã Melissa, de 11. Ela ficou na expectativa de ver o filhote.

Os gorilas sempre foram a atração principal do zoo. A estrela maior, Idi, que chegou em 1975, aos 2 anos de idade, vindo de uma instituição francesa, marcou época em BH. O sonho de uma reprodução em cativeiro data de 1993, quando começaram os esforços para trazer uma fêmea para Idi. A expectativa de que ele deixaria herdeiro se concretizou há três anos, com a chegada das gorilas Imbi e Kifta. Mas não foi possível e o morador mais ilustre do zoo morreu de velhice, aos 37 anos, com várias doenças crônicas, em 2012. Coube a Leon, que chegou ano passado, a tarefa de ajudar BH a fazer história.

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