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Brasília » Menino de 10 anos e 2m de altura pede ajuda para enfrentar o gigantismo Sérgio Gabriel gosta de super-heróis como Homem-Aranha e Hulk. Mas, com dois metros de altura, ele e a família precisam de ajuda para tratar o gigantismo, doença que afeta o crescimento

Manoela Alcântara - Correio Braziliense

Publicação: 31/07/2014 10:40 Atualização:

Foto: Carlos Moura/CB/D.A. Press
Foto: Carlos Moura/CB/D.A. Press
De longe, Sérgio Gabriel Ribeiro parece um homem na idade adulta. Um pouco mais de perto, os traços do rosto colocam a certeza em xeque. Ao conversar com o menino de 2 metros, rapidamente é possível perceber que, na verdade, se trata de uma criança, tem 10 anos. Gosta de filmes de super-heróis e cochicha no ouvido da mãe quando tem vergonha de falar algo. O sorriso lançado vez ou outra durante uma conversa não revela o real sofrimento diário. Gabriel, como é chamado pela família, sofre de gigantismo. Tem um tumor no cérebro, teve diagnosticado retardo mental e é hiperativo. O bullying nas ruas é diário. Na escola, ele não entende muito bem por que os amigos são menores. Muitas vezes, bate a cabeça ao passar pelas portas. Não consegue comprar roupas do tamanho dele e, hoje, tem somente um sapato que cabe no pé tamanho 46.

A mãe, Ricardene Barreira Ribeiro, 47 anos, recebe pensão do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) de pouco mais de R$ 700, paga R$ 400 de aluguel em casa no Pedregal, bairro do Novo Gama (GO), e afirma: “Já passei fome para ele poder se alimentar Além do tamanho de gigante, ele come como um”, conta. Todos os móveis da casa são fruto de doação. As roupas também. O problema é que as calças e as camisas de Gabriel não duram muito tempo. Como ele cresce rapidamente, elas ficam curtas e apertadas. “Não tenho condições de comprar. Nem o chinelo dele está servindo direito. O que posso dar é educação e alimento”, completa a mãe.

A doença foi descoberta quando o menino tinha 4 anos, em 2008, mesmo ano em que o pai dele morreu. Segundo Ricardene, em 2010, conseguiu marcar uma cirurgia para o filho retirar o tumor da hipófise no Hospital de Base do Distrito Federal, mas o procedimento não ocorreu. “Eles nos colocaram em um corredor, disseram que não tinha maca. O Gabriel tem esse tamanho, mas é uma criança. Ele queria dormir, ficou superenjoado. Quando deu meia-noite, peguei o último ônibus e voltei para casa”, conta Ricardene.

Mãe de 12 filhos, a mulher nunca imaginou que pudesse ver um deles sofrer com uma doença tão rara. “É difícil porque as restrições financeiras são muitas. Ele tem outros problemas associados e ainda vivemos em uma sociedade preconceituosa”, comenta a mãe. Ricardene mudou-se para o Pedregal há 15 dias. Antes, morava em Santa Maria, onde conseguiu uma escola para o filho. Este é o primeiro ano do menino no colégio.

Ajude
Quem quiser auxiliar a família de Gabriel pode ligar para 9349-8786


Dificuldades
Em 2011, a Defensoria Pública deu entrada em uma ação para obrigar que o direito à saúde, assegurado na Constituição Federal, fosse garantido a Gabriel. O Hospital de Base do DF enviou um ofício solicitando que o menino fosse até a unidade de saúde para marcar nova consulta, mas Ricardene ficou doente. Um problema no fígado a deixou quatro meses em coma.

Desde então, as coisas pioraram. Ela não consegue fazer o tratamento para a hepatite C porque não tem com quem deixar os dois filhos que moram com ela. Gabriel também não toma nenhum remédio. “Acho que, no caso dele, é só a cirurgia mesmo”, afirma a mãe. Em decorrência da doença, o menino sente fortes dores de cabeça e já teve convulsões. Com pouco menos de 1,70m, a mãe do menino se desespera durante as crises. “Não tenho como carregá-lo. Na última crise, saí gritando no meio da rua. Parei os carros e as pessoas me ajudaram.”

Com grande carência, a mulher pede ajuda. Um tênis 46 para o filho, por exemplo. Gabriel, só pensa em uma coisa: “Queria um aparelho de DVD com controle e filmes de super-heróis. Gosto de todos, do Homem-Aranha, do Hulk, do Quarteto Fantástico”, diz tímido. A cirurgia também está entre os sonhos da moradora do Pedregal. “Os médicos dizem que não é possível retirar todo o tumor, mas tenho esperanças de que ele melhore”.

Em nota, a Secretaria de Saúde do DF confirmou que, em 2010, o paciente realizou atendimento no HBDF, mas não consta no prontuário nenhuma inserção para procedimento cirúrgico. “No Distrito Federal, a unidade especializada para esse tratamento é o Hospital Universitário de Brasília (HUB). A secretaria conseguiu marcar uma consulta para o paciente no HUB para a próxima semana”, informa o documento.

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