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Clima » Campanha incentiva brasilienses a deixarem agasalhos em cabides pela cidade Onda de frio levou brasilienses a ações solidárias. Voluntários organizam campanhas para arrecadar agasalhos e ajudar quem precisa

Correio Braziliense

Publicação: 30/07/2014 10:45 Atualização:

A psicóloga Alana Dias Mendes teve a ideia de colocar casacos em cabides e espalha-los pela cidade: inspiração veio da internet. Foto: Janine Moraes/CB/D.A. Press
A psicóloga Alana Dias Mendes teve a ideia de colocar casacos em cabides e espalha-los pela cidade: inspiração veio da internet. Foto: Janine Moraes/CB/D.A. Press

As temperaturas mais baixas e o tempo seco não surpreendem o brasiliense quando chega julho. Mas uma onda de frio que se instalou na região Centro-Oeste na última semana trouxe ainda chuvas isoladas e névoa úmida ao Distrito Federal, o que obrigou os moradores da capital a tirarem casacos, cachecóis e até luvas do armário. Mas o fenômeno também mobilizou alguns moradores da cidade, que, por iniciativa própria, iniciaram campanhas inusitadas para arrecadar de agasalhos.

A psicóloga Alana Dias Mendes, 55 anos, é uma das organizadoras do projeto Amor no Cabide. As peças são instaladas em diversos pontos da cidade, e as pessoas dispostas a doar podem pendurar casacos e outros acessórios. Bilhetes de incentivo, afixados nos cabides, explicam que os agasalhos podem ser levados por quem sentir frio. “Se você precisa, é seu”, é o lema da campanha. “Não estamos preocupadas com quem pega. Acredito que ninguém que não precisa vai levar, e, se isso acontecer, ao menos estamos fazendo a nossa parte”, afirma Alana.

Com outras duas voluntárias, Liliane Brasil, 28 anos, empresária, e Cristiane Leborace, 43, personal gourmet, Alana instalou cabides pela cidade. Ela conta que viu a ideia em uma rede social — algumas pessoas desenvolvem ação semelhante no Sul do país —, e, com uma pesquisa rápida, encontrou Cristiane e Liliane, que já haviam começado a arrecadar casacos. Hoje, as pessoas podem recolher as roupas em sete pontos. O trio também organiza mutirões para receber mais doações e continuar com a ação. Alana conta que muitas das histórias mexem com o coração das voluntárias. “Fizemos um mutirão em frente ao Hospital Materno Infantil de Brasília (Hmib), e um garotinho que saía com a mãe tirou o casaco e colocou no cabide. Quando dissemos que estava frio, ele afirmou ter outros em casa e que não precisava daquele. Foi muito bonito”, diz.

Os amigos e estudantes universitários, Felipe Andrade Ottengy, 19 anos, Caio Neves Fernandes, 22, e Lucas Valente de Lyra, 22, se reuniram para colocar caixas de doações em bares de Brasília. Felipe conta que a ideia surgiu por acaso. “Estávamos juntos e vimos um menino, morador de rua, com muito frio. Isso nos sensibilizou e resolvemos fazer uma campanha diferente. As pessoas sempre colocam avisos nos prédios e em supermercados, afirma. Os amigos confeccionaram o material e deixaram as caixas de doação em dois bares por um mês, de 5 de junho a 7 de julho, mas pretendem retomar a ideia no Dia das Crianças.

O material arrecadado será distribuído pelos amigos a moradores de rua da região central de Brasília, próximo à Rodoviária do Plano Piloto e da W3. “Por enquanto, somos só nós três para distribuir as peças, mas, se alguém quiser ajudar, é só entrar em contato conosco”, completa. Felipe diz que eles conseguiram arrecadar cerca de 100 casacos, Teresa Cristina Paula Lyra, 49 anos, resolveu transformar a arte em calor. No fim de semana passado, a jornalista postou mensagem em uma rede social sobre o frio intenso que tomou a capital e recebeu muitos comentários de amigos. Ao perceber que outras pessoas, em especial os que vivem na rua, poderiam precisar de ajuda, teve a ideia de fazer um sarau solidário. O amigo e músico Alberto Salgado, 35, aderiu ao movimento. O grupo Cafetão Cultural — formado por Teresa e outros dois amigos, o produtor cultural Marcelo Fontelles, 40, e o gestor cultural Thiago Fanis, 30 — assumiu a organização do evento. “Os números já superaram as minhas expectativas.

Em menos de três horas, tive 58 adesões de pessoas se oferecendo para ajudar”, conta Teresa. Em um grupo fechado que já conta com 153 membros, o Sarau Quente — sarau em prol de campanha do agasalho aos necessitados, mobiliza mais adeptos. Para facilitar as doações, eles montaram pontos de arrecadação. Quem contribuir ganha um ingresso para o evento, marcado para 13 de agosto, às 19h30, no Teatro dos Bancários. O espaço foi cedido aos organizadores.

Entre as atrações, estão o maestro Rênio Quintas, a cantora Cely Curado, o músico Alberto Salgado, os percussionistas Jorge Macarrão e Edinho Silva, entre outros. A jornalista conta que todos participam do sarau de forma voluntária e, para manter a credibilidade e o caráter altruísta do evento, nenhum candidato ou político, mesmo que artista, poderá participar. “Queremos manter isso, para que não existam dúvidas. O objetivo é ajudar o próximo apenas, de coração. Não temos nenhum tipo de moeda envolvida, muito menos política. É um evento da sociedade civil”, completa.

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