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Minas Gerais » Mistério sobre localização do corpo de Eliza Samudio pode ser revelado hoje

Estado de Minas

Publicação: 25/07/2014 10:08 Atualização:

Jorge Rosa Sales, primo de Bruno:
Jorge Rosa Sales, primo de Bruno: "Chegou lá e jogou ela (sic) como se fosse um nada, um lixo, e enterramos. O Bola falou para o Macarrão que ali não tinha como achar. O buraco onde ela está dava para jogar uns 10 corpos". Foto: Beto Magalhães/EM/D.A. Press

O grande mistério de um dos casos de maior repercussão da história recente do país pode ser revelado hoje, quando a Polícia Civil fará nova busca pelo corpo da modelo Eliza Samudio, ex-amante do goleiro Bruno Fernandes, em um lote vago no Bairro Santa Clara, em Vespasiano, na Grande BH. O novo capítulo do caso de horror é protagonizado por Jorge Luiz Rosa Sales, de 21, primo do atleta, que alegou uma crise de consciência, deu uma entrevista sobre sua participação no crime e levará a polícia ao local onde diz ter sido feita a desova. Desde o assassinato de Eliza, em junho de 2010, já foram feitas 10 buscas pelo corpo.

O rapaz prestou depoimento ontem durante três horas no Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), no Bairro Lagoinha, na Região Nordeste de BH. Ele afirmou à polícia que Eliza foi levada ao local por ele, Luiz Henrique Romão, o Macarrão, e o ex-policial civil José Aparecido dos Santos, o Bola.

Jorge manteve a versão de que ela morreu asfixiada por Bola, depois de levar uma gravata do ex-policial, com a ajuda de Macarrão. Em seguida, Bola decepou a mão dela e a enrolou com o corpo em um lençol antes de colocar em um saco preto com zíper. Os três foram para o lote vago, onde já havia uma cova feita aparentemente por uma retroescavadeira, arremessaram o saco e o enterraram. Ele diz que ajudou a jogar terra sobre o corpo, enquanto Bruninho, filho de Eliza com o goleiro dormia em um  Ford EcoSport, que foi um presente de Bruno para sua avó, também avó de Jorge, dona Estela.

O novo depoimento de Jorge ocorreu depois que ele deu entrevista à Super Rádio Tupi, dos Diários Associados, no Rio de Janeiro, com detalhes sobre sua participação no crime. Jorge era menor de idade na época do assassinato. Desde então, deu versões diferentes para o caso, mas desta vez garante ser verdade. Na entrevista, ele descreveu o local da desova: “Uma estrada deserta, praticamente abandonada, perto de um coqueiro curvado”.

Ele disse à rádio que está falando a verdade agora para que a mãe de Eliza, Sônia de Fátima Moura, possa fazer um enterro digno da filha. Mas antes procurou um tio para contar sua decisão e foi aconselhado para  seguir em frente. Na entrevista à rádio, gravada em vídeo, ele diz: “Chegamos à casa do Bola e entramos tranquilos. O Bola pediu pra ela me passar a criança, e ela sentou na cadeira. Falou para ela ficar tranquila, que ele era policial, que ela ficaria ali uma noite só e que no outro dia iria para o apartamento”, afirma Jorge. Mas acabou matando a moça por asfixia.

Como no depoimento à noite, ele disse à rádio que Bola cortou a mão de Eliza. “ Não tem nada de esquartejamento. Ela está inteira”, contou. “Levamos (o corpo) para esse sítio, Só chegou lá e ele jogou ela (sic) como se fosse um nada, um lixo, e enterramos. O Bola falou para o Macarrão que ali não tinha como achar. O buraco onde ela está dava para jogar uns 10 corpos”, afirmou

A entrevista do primo do goleiro mobilizou as polícias do Rio de Janeiro, onde ele mora, e de Minas. O rapaz deixou o Rio por volta das 5h de ontem, acompanhado do tio, policiais do Comando de Operações Especiais (COE) e do advogado Nélio Andrade, em direção a Vespasiano, onde chegaram no início da tarde. Eles rodaram de carro por cerca de duas horas e Jorge disse estar perdido. Depois, ele pediu para começar tudo de novo partindo da casa de Bola, onde Eliza foi morta, e conseguiram chegar ao local descrito por ele.

Andrade, que afirma não ser defensor de Jorge, mas orientador jurídico, disse que Jorge pediu para a polícia levá-lo à casa de Bola, para ter um ponto de partida. De acordo com Andrade, ao passar perto do terreno, distante oito minutos de carro do imóvel onde Elisa foi executada, ele pediu que parassem, desceu, começou a chorar e apontou o local. Segundo Andrade, o rapaz está com muito medo e pediu proteção. Ele está sob a guarda de policiais do COE, do Rio de Janeiro.

Coerência

O delegado Wagner Pinto, chefe do DHPP, informou que Jorge deu muitos detalhes no depoimento. Ontem, a polícia isolou o local, onde ficaram agentes durante toda a madrugada para preservar a possível cena do crime. “O julgamento desse caso ocorreu com base na materialidade indireta. O corpo dá a materialidade total ao sequestro, cárcere, homicídio e ocultação de cadáver da vítima”, afirmou Pinto.

O delegado informou também que a existência de um único coqueiro, descrito por Jorge como o ponto que demarca a cena, é um fator que dá ainda mais crédito à versão. “Ele afirma, com 100% de certeza, que o lugar é aquele, mas tudo será comprovado amanhã (hoje). Vejo a versão dele com certa coerência e acredito que o caso está muito perto de ser resolvido”, disse.

O policial afirmou que a descoberta não muda as penas dos cinco condenados pelo assassinato de Elisa nem as investigações. O primo de Bruno, que na época era menor de idade e cumpriu medida socioeducativa, também não terá a pena alterada. Agora, ele é considerado um colaborador do caso.

Bruno foi condenado a 22 anos e três meses de prisão pelo assassinato e ocultação de cadáver de Eliza e pelo sequestro e cárcere privado de Bruninho. Macarrão pegou 15 anos de prisão por homicídio qualificado. Bola foi condenado a 22 anos por homicídio duplamente qualificado e ocultação de cadáver. Fernanda de Castro, ex-namorada de Bruno, pegou cinco anos de prisão.

 

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