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Belo Horizonte » Prefeitura quer projeto para demolição de alça de viaduto na Avenida Pedro I Construtora afirma que erro de projeto causou desabamento de uma alça do viadutoe que a outra apresenta risco iminente de cair. PBH já estuda a melhor forma de fazer o trabalho

Pedro Ferreira -

Publicação: 23/07/2014 09:50 Atualização:

Um erro grave no projeto de engenharia provocou o desabamento da alça sul do Viaduto Batalha dos Guararapes, em construção na Avenida Pedro I, na Pampulha, que matou duas pessoas e feriu 23 no dia 3. A alça norte, que está escorada, apresenta o mesmo problema, com aço insuficiente nos pilares, e pode desabar a qualquer momento, por isso, precisa de demolição urgente. Essa foi a conclusão de uma perícia contratada pela Construtora Cowan, responsável pela obra, e que aponta falhas no projeto executivo que recebeu da Prefeitura de Belo Horizonte para executá-lo. Segundo o laudo, o bloco de sustentação, que fica apoiado sobre 10 estacas e mantinha um dos pilares do viaduto, ruiu e uma carga de 3 mil toneladas migrou para apenas duas estacas centrais, provocando a queda.

A prefeitura divulgou nota à noite informando que solicitou à Cowan a apresentação  imediata análise, do laudo que indica a necessidade de demolição. Uma fonte revelou ao EM que o trabalho de remoção já está sendo avaliado. Já a Consol Engenheiros Construtores, que elaborou o projeto, disse, também em nota, que há divergências  entre o projeto e a execução da obra e que vai aguardar a perícia oficial para apresentar os detalhes.

A Cowan informou que, em ofício enviado ao prefeito Marcio Lacerda e à Defesa Civil municipal, recomendou, além da demolição, a restrição absoluta ao trânsito de veículos e de pessoas perto do elevado sobre a Pedro I.

O laudo da Cowan mostra erro na armadura no bloco de apoio 3, que era o apoio principal. “Esse bloco foi feito muito fino, é flexível e teria que ser calculado não como bloco, mas como viga. Tinha na direção principal do bloco um décimo das ferragens necessárias para suportar as cargas que o viaduto seria submetido”, afirmou o engenheiro calculista Catão Francisco Ribeiro, contratado pela Cowan, que segundo ele, executou a obra conforme o projeto da Sudecap.

Segundo o perito, o risco de queda da outra alça é grande. “A alça norte apresenta os mesmos defeitos, que são constatados numa planta que mostra que a armadura está errada. E a armadura estando errada, poderia ter caído no dia em que retiraram a sustentação”, disse.

Em uma única posição de ferro, onde deveriam ter colocado barra de uma polegada a cada cinco, puseram 16 a cada 25. “Colocaram um décimo das ferragens numa posição e ninguém viu. Passou batido. A prefeitura verificou e aprovou o projeto e a Sudecap repassou para a construtora. Por um milagre, a outra alça ainda não caiu”, disse.

O engenheiro explicou que o bloco de sustentação seria como um bolo feito de concreto, que fica sobre 10 estacas fincadas no solo. Sobre esse bloco, fica apoiado o pilar de sustentação do viaduto, que era em forma de um cálice. “Cada estaca deveria pegar um décimo da carga de 3 mil toneladas, mas toda a carga foi transferida para apenas duas estacas. O bloco foi incompetente, por falta de armação e aço, de transferir a carga que o pilar trouxe para ele para as 10 estacas de forma igualitária. Carregou somente as duas estacas que estavam debaixo dele”, afirmou.

O processo de fissuração e trincagem do bloco não foi observado, pois fica enterrado cerca de 3 metros no solo, e demorou 18 dias para ruir. “As duas estacas que estavam debaixo do pilar receberam sozinhas as 3 mil toneladas de carga”, explicou. “A estaca não é a culpada. A culpa é o bloco que não conseguiu transferir a carga de igual maneira para as 10 estacas”, disse. 

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