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Estimativa » Apenas nove unidades públicas prestam atendimento de reprodução assistida Cerca de 150 mil brasileiras recorrem ao procedimento. A saída tem sido doar óvulos em clínicas privadas em troca do tratamento

Julia Chaib - Correio Braziliense

Renata Mariz - Correio Braziliense

Publicação: 14/07/2014 08:45 Atualização:

Marcela Lisboa, grávida de Davi: eu não teria dinheiro. Alguns conhecidos até estranharam a doação (dos meus óvulos), mas é uma outra mulher que terá chances de engravidar. Foto: Paula Rafiza/Esp. CB/D.A Press	 (Paula Rafiza)
Marcela Lisboa, grávida de Davi: eu não teria dinheiro. Alguns conhecidos até estranharam a doação (dos meus óvulos), mas é uma outra mulher que terá chances de engravidar. Foto: Paula Rafiza/Esp. CB/D.A Press

Depois de quatro tentativas marcadas pela frustração do insucesso, o que parecia impossível aconteceu. Marcela Lisboa Ramos, 33 anos, está grávida. Um sangramento no 21° dia de gestação assustou a brasiliense, calejada pelos altos e baixos inerentes aos tratamentos de fertilização. “Cheguei a pensar: ‘não vou nem me desesperar, já estou acostumada’. Fui triste para o médico, que verificou ter sido apenas um descolamento de placenta. Nem acreditei”, comemora. Com barriga de seis meses, Marcela prepara o enxoval do tão desejado Davi, na companhia do marido, com quem está casada há 17 anos e tem um filho adolescente, Pedro.

O segundo rebento do casal, que mora em Planaltina (DF), é fruto de uma verdadeira saga pela qual podem passar 150 mil pessoas por ano. Essa é a estimativa anual da Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida sobre o número de mulheres no país que teriam de recorrer a um tratamento para engravidar. As chances de conseguirem são pequenas caso elas não tenham de R$ 12 mil a R$ 20 mil para custear o procedimento, uma vez que planos de saúde não cobrem e só existem nove centros públicos que fazem, segundo o Ministério da Saúde. Uma saída para aquelas cujo problema não afeta a produção de óvulos é doar o material a outras mulheres, em troca de ter o procedimento pago.

Foi exatamente o que fez Marcela, diante de uma infertilidade causada por problemas nas trompas. Primeiro tentou o serviço público do Hospital Materno Infantil de Brasília (HMIB). Esperou quatro anos na fila, até conseguir atendimento. Lá, fez duas tentativas, quantidade máxima permitida por paciente, devido à demanda, e uma transferência de embrião congelado. Em vão. Até que procurou uma clínica, onde doou parte dos 22 óvulos que fecundou em troca do tratamento. A primeira tentativa no estabelecimento particular foi frustrada. Depois de exames minuciosos, a implantação deu certo. “Eu não teria dinheiro para pagar. Alguns conhecidos até estranharam a doação, mas é uma outra mulher que terá chances de engravidar”, analisa Marcela.

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