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Brasília » Mulher reclama de atendimento e é agredida com soco por copeiro de bar Antes, a mulher jogar um copo de cerveja no funcionário. Apesar da confusão, ela desistiu de registrar uma ocorrência por temer represálias. O funcionário acabou demitido

Correio Braziliense

Publicação: 02/07/2014 09:01 Atualização:

Um copeiro do Bar do Calaf, no Setor Bancário Sul, é acusado de agredir uma mulher no último sábado durante as comemorações da vitória do Brasil sobre o Chile na Copa do Mundo. A confusão aconteceu horas depois do fim do jogo. Após um bate-boca, motivado por um suposto mau atendimento, a vítima teria se irritado e jogado um copo de cerveja no suspeito. Para acalmar os ânimos, o gerente mandou o funcionário para casa. No entanto, o empregado, que não teve o nome revelado, retornou ao local, puxou a mulher pelos cabelos e a atingiu com um soco. Garçons e clientes separaram a briga. A gerência chamou a PM, e o caso terminou na Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (Deam). Mesmo assim, não houve registro de ocorrência. O copeiro foi demitido.

A vítima, que prefere não se identificar, disse que optou em não fazer uma queixa formal, pois teme que o agressor volte a procurá-la. Ela assumiu, porém, que perdeu a razão ao atirar o copo. “Entreguei a minha comanda para pedir cerveja e não me recordava para quem. Questionei o rapaz que estava atrás do balcão, e ele fez um gesto, como se me mandasse ir me lascar. Perguntei quem era o gerente e fui reclamar. Nisso, o funcionário (da comanda) passou por trás dele, e eu o acusei. Ele me respondeu com um gesto obsceno. Pedi que tomassem uma providência”, relatou.

Ao buscar outras cervejas, a vítima se irritou ao reencontrar o acusado na mesma função. “Eu fiquei muito nervosa, descontrolei-me e joguei o copo com cerveja nele. Depois, comecei a perguntar o que ele achava que eu era. O meu amigo me pegou pelo braço e disse que eu perdi a razão. Mas, depois, o funcionário puxou o meu cabelo e me deu um soco na boca. Ele só não me agrediu mais porque seguraram ele. Eu me senti humilhada. Foi uma coisa triste. Nunca apanhei de ninguém na minha vida. Foi chocante. Com certeza, ele fez isso pelo fato de eu ser mulher. Ele não ia fazer isso com outra pessoa. Eu não sou qualquer uma”, reclamou.

Gestos obscenos
A moradora do Sudoeste Camila Almeida, 25 anos, testemunhou a agressão. Ela relatou que viu a primeira confusão quando estava no caixa. Conversava com a vítima quando o empregado se aproximou e a puxou pelos cabelos. “Ela procurou o gerente e mostrou quem era a pessoa. O funcionário continuou fazendo gestos obscenos. Meia hora depois, eu voltei ao bar, e ela estava lá. Começou a tirar satisfação. Disse que era cliente e não devia ser tratada assim. Ficou muito nervosa, e eu tentei acalmá-la. Pouco depois, o copeiro veio por trás e acertou um soco na boca dela”, afirmou.

O gerente do Calaf, Pablo Manuel de Brito, disse que a empresa está à disposição da vítima, da polícia e da Justiça. A versão dele diverge da história da agredida em alguns pontos. “A moça foi grosseira, e ele (o copeiro) revidou da mesma forma. Eu pedi desculpas, mas a cliente, em vez de deixar para lá, foi atrás e jogou o copo com cerveja no funcionário. Depois que o dispensamos, ele voltou por conta própria para tirar satisfação. A mulher jogou uma garrafa nele, e ele a agrediu com um soco. Tentamos, ontem (segunda-feira), procurar a delegacia para dar a nossa versão do ocorrido, mas não tinha ocorrência. Estamos dispostos a colaborar”, garantiu.

Para a socióloga e assessora do Centro Feminista de Estudos e Assessoria, Joluzia Batista, nesses casos, a vítima desiste de procurar a Justiça pelo trâmite do processo. “É muito desgastante. A pessoa se sente muito só. Nesse tipo de caso, as pessoas se sentem acuadas e sozinhas porque se irritaram e revidaram. E tem uma dose grande de machismo na agressão”, criticou.

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