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Programa » Problemas no Ciência sem Fronteiras frustam sonhos de estudantes brasileiros Alunos de programa de intercâmbio internacional do governo federal têm países de destino alterados, são submetidos a prova antecipada antes de dominar idioma e estão prestes a voltar de mãos vazias, sem realizar o sonho de estudar no exterior

Junia Oliveira -

Publicação: 08/06/2014 09:32 Atualização:

Eles partiram levando na bagagem a expectativa de estudar em uma universidade do exterior e incrementar o currículo com domínio de um segundo idioma. Mas o sonho que une estudantes do Ciência sem Fronteiras, programa do governo federal que incentiva o intercâmbio internacional, tornou-se pesadelo para alguns desses universitários. Muitos viajaram para Europa, América do Norte e até Oceania sem conhecimento da língua, mas com o compromisso de estudar para dominar o idioma e garantir o ingresso no curso superior. Uma parcela deles, no entanto, teve o teste antecipado e, sem conseguir a nota mínima exigida, está voltando de mãos vazias. Estudantes de Minas que estão na Austrália ficaram até mesmo sem seguro saúde. Atrasos no pagamento das bolsas, falta de informação e de orientação são comuns, segundo os intercambistas.

Alunos que viajaram com a pendência de aprender o idioma pretendiam inicialmente estudar em Portugal. Mas, no ano passado, o Ministério da Educação cancelou os convênios com as universidades portuguesas. Na época, o então ministro Aloizio Mercadante alegou a necessidade de estimular entre os candidatos o domínio de um segundo idioma. Ao todo, 3.445 estudantes foram realocados para Estados Unidos, Reino Unido, Austrália, Canadá, França, Alemanha, Itália e Irlanda, com a promessa de fazer o curso de idioma no destino para, depois, se submeterem ao teste de proficiência, que verifica o domínio da língua e é requisito para ingressar em curso de graduação no exterior.

Foi nesse contexto que Nathália César Giovani, de 24 anos, matriculada no último período de biomedicina da Universidade Fumec, em BH, desembarcou na Austrália, em outubro do ano passado. A candidatura para Portugal havia sido confirmada em fevereiro mas, em 24 de abril, houve a transferência para a França. Em 12 de julho, a candidatura da França também foi cancelada e a estudante foi realocada para a Austrália, sem que precisasse fazer teste de nivelamento no Brasil. “Não conhecia nada sobre a cultura australiana, mas embarquei por ter ambições quanto ao meu futuro e por ainda confiar no órgão que tratava do assunto”, conta. A transferência foi confirmada um mês depois e, em 2 de outubro, Nathália desembarcava em terras australianas, para onde foram outros 1.244 alunos que inicialmente teriam Portugal como destino.

A garota viajou com a promessa de que teria 15 a 20 semanas de curso de inglês, mas, no início de dezembro, após nove semanas, foi informada de que teria de fazer o teste de proficiência dentro de cinco dias. “Tivemos pouco tempo de estudo em comparação com quem havia chegado em julho e faria a mesma prova. Fizemos o exame sem saber o critério de avaliação, qual a nota exigida e o motivo da antecipação”, diz.


Desde então, a estudante vive uma dor de cabeça atrás da outra, na esperança de ainda conseguir cumprir seu objetivo. “Estou lutando para ter uma formação de excelência. Estudo com o Fies (financiamento estudantil) e tentei o Ciência sem Fronteiras porque era o meu sonho fazer intercâmbio. Minha família nunca teria condições de pagar por isso. Mas é um sonho que está virando pesadelo.”

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