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Tribunal do Facebook » A vilanização das redes sociais Os estragos causados pela informação postada e compartilhada sem o devido cuidado estão se repetindo cada vez mais no Brasil

Larissa Rodrigues - Diario de Pernambuco

Publicação: 18/05/2014 17:42 Atualização: 19/05/2014 18:40

 (Arte/DP)
A velocidade no compartilhamento de informações é um dos principais atrativos das redes sociais. Mas a falta de preocupação de checar a veracidade da postagem antes de repassá-la é uma arma perigosa. Episódios recentes mostram como sentenças determinadas pelas vozes do mundo virtual foram executadas no mundo real. Foi o que aconteceu com a dona de casa Fabiane Maria de Jesus, 33 anos, condenada com a mesma velocidade do compartilhamento e sem direito à defesa.

Casada e mãe de duas filhas, foi espancada por dezenas de moradores do Guarujá, no litoral de São Paulo, e não resistiu aos ferimentos - morreu no dia 5 de maio. Motivo: um boato de uma página do Facebook, o Guarujá Alerta. Os administradores afirmaram que ela sequestrava crianças para fazer de magia negra.

Esses boatos ganham ressonância e se espalham como “verdades” rapidamente devido à quantidade de pessoas conectadas à rede. Segundo números do Interactive Advertising Bureau (IAB) - associação que congrega sites, portais, empresas de tecnologia, agências e desenvolvedoras Web -, de novembro do ano passado, existem no país mais de 105 milhões de usuários de internet. Informações da ComScore, outra empresa que analisa a web, dão conta de que 90,2% dos internautas brasileiros acessam redes sociais.

 (Luis Cleber/Estadão (esq) Facebook/Reprodução (dir))


A inabilidade de parte dos internautas para lidar com essas mídias é apontada pelos especialistas como responsável pela rápida proliferação de informações falsas, julgamentos equivocados ou exagerados e superexposição. Além disso, esquecem de que um perfil numa página não reflete necessiariamente o que uma pessoa é na vida real. Também não lembram de que a rede é um espaço público. Um comentário publicado pode decidir um destino, como no caso do piloto Eduardo Pfiffer, da Avianca, demitido da operadora no fim de março deste ano após xingar nordestinos no Facebook. Depois da repercussão no site, Pfiffer ainda tentou se defender argumentando na página que não tem nada contra as pessoas do Nordeste. Não adiantou. Além de perder o emprego, passou pelo menos uma semana sendo achincalhado na internet.

A professora da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) Karla Patriota é mestre em comunicação, doutora em sociologia e pós-doutora em antropologia social. Ela diz que as pessoas não entenderam ainda o que são as redes sociais. Isso serve tanto para quem publica algo quanto para quem julga e compartilha a postagem. “Fora da rede, a ordem social impede que a gente diga qualquer coisa a qualquer pessoa. A gente pondera. Mas os usuários não dicerniram o que é o novo meio e têm feito as coisas de forma imprudente”.

Sociólogo e cientista político da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Paulo Baía afirma que o boato é um fenômeno das mídias. Na internet, a diferença é que todos são emissores, ao contrário de jornal que tem um filtro maior. “O boato está em todas as sociedades há muito tempo. Porém, se tornou mais crônico com a digitalização”.

Diretora executiva da Le Fil, consultoria em internet e redes sociais, Socorro Macedo observa que na internet o relacionamento não é restrito aos amigos. “Existem pessoas na sua rede que têm o poder de disseminar coisas com a força de um jornal. Fora dali é alguém comum, mas lá se torna um formador de opinião”.

Leia a matéria completa na versão impressa do Diario de Pernambuco.

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