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Pai do garoto » Para polícia, pai receitou sedativo que teria matado o menino Bernardo Segundo inquérito, o médico teve participação no assassinato de Bernardo Boldrini. Ele, a madrasta e uma amiga foram indiciados por homicídio qualificado e ocultação de cadáver

Correio Braziliense

Publicação: 14/05/2014 07:52 Atualização:

Os três suspeitos de participarem do assassinato do menino Bernardo Boldrini, 11 anos, encontrado morto em 14 de abril, foram indiciados ontem por homicídio qualificado e ocultação de cadáver. O pai do garoto, o médico Leandro Boldrini, a madrasta Graciele Ugulin, e a assistente social Edelvânia Wirganovicz foram apontados como os autores do crime. O grupo está preso preventivamente desde o dia em que o corpo foi encontrado. Segundo a policia, Bernardo foi morto por um sedativo. Edelvânia e Graciele confessaram participação no episódio e, até então, não estava claro o envolvimento do pai no crime. Mas, de acordo com o inquérito de mais de 2 mil páginas entregue ontem ao Ministério Público, Leandro não só ajudou a planejar a ação, como também forneceu a receita para a compra do medicamento que causou a morte da criança. A defesa nega o envolvimento do médico no caso.

Para os investigadores, a assinatura que consta na prescrição é semelhante a de Boldrini, mas ainda precisa ser confirmada por perícia. A análise toxicológica comprovou a presença da droga no corpo do menino. Outros indícios também levaram a polícia a constatarem a participação de Leandro. “O medicamento saiu da sala de endoscopia onde ele trabalhava”, exemplificou a delegada Caroline Bambert. A delegada também citou episódios que comprovam o desafeto do pai pela criança. “Desde o início, Leandro se mostrava tranquilo quanto ao desaparecimento de Bernardo. Era essa a impressão que ele nos passava. O casal parecia até satisfeito com o sumiço”, disse. A polícia também relata que Graciele teria procurado uma amiga meses antes do crime e relatado o desejo dela e do marido de matar Bernardo. Contra Leandro, também pesou os mais de 100 depoimentos que levaram a delegada a constatar que a relação do casal com o menino não era boa. O garoto, inclusive, foi sozinho, em janeiro, ao fórum de Três Passos pedir para não morar mais com o pai e a madrasta. A mãe do menino, Odilaine Uglione, morreu em 2010. A polícia registrou o caso como suicídio. Depois da história de Bernardo, a família de Odilaine pediu a reabertura do inquérito, mas isso ainda não foi feito.

Versões

Detida, Edelvânia foi a primeira a falar sobre o crime e confessou que o assassinato foi premeditado. Ela ajudou a matar e ocultar o cadáver de Bernardo em troca de recompensa financeira. Depois da declaração, a defesa da assistente social mudou a versão e afirmou que não houve planejamento anterior da morte e disse que a assistente social só ajudou a enterrar o corpo. Edelvânia chegou a receber R$ 6 mil pelo crime.

A madrasta também confessou ter matado Bernardo, mas alegou um acidente. Segundo Graciele, ela teria levado a garoto a um aquário na cidade vizinha, mas exagerou na dose de calmantes que deu ao menino para que ele não passasse mal no caminho. A polícia rejeitou essa hipótese. Há quatro qualificadores para o crime: a promessa de recompensa, no caso de Edelvânia, o motivo fútil, de que o menino atrapalhava a vida do casal, o meio insidioso, uso de injeção letal, e a dissimulação que impossibilitou a defesa da vítima.

 

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