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Violência » Casos de adolescentes que agridem namoradas são frequentes no DF Especialistas explicam que as penalidades previstas pela polícia e determinadas pela Justiça devem seguir a Lei Maria da Penha

Adriana Bernardes - Correio Braziliense

Publicação: 05/05/2014 08:53 Atualização:

Beliscões, tapas, ameaças de morte e até chantagem. O roteiro é parecido com o de tantas histórias de homens e mulheres marcadas por tragédias. Mas, nesse caso, quem protagoniza o drama e a violência de uma relação são adolescentes, alguns experimentando o primeiro amor. O ciúme doentio e o sentimento de posse têm sido o combustível do namoro e, por vezes, o estopim para o jovem agredir fisicamente a companheira. Esses casos são cada dia mais recorrentes e acabam registrados na Delegacias da Criança e do Adolescente (DCA) como atos infracionais análogos à Lei Maria da Penha.

O desrespeito frequente levou a Comissão Permanente da Infância e da Juventude (Copeij), formada por promotores de todas as regiões do Brasil, a aprovar um enunciado prevendo a possibilidade de aplicação da Lei Maria da Penha pelas varas da infância e da juventude (leia Para saber mais). “Não podemos afirmar que são muitos casos, mas eles ocorrem e é preciso garantir a proteção, especialmente da vítima”, defende o promotor da Vara da Infância e da Juventude do DF, Renato Barão Varalda.

Há quase um ano, a servidora pública Juliana, 60 anos, moradora do Plano Piloto, luta para tirar a filha Paula, de 17, de uma depressão provocada pela desilusão amorosa que terminou na DCA. O relato de Juliana ao Correio é interrompido várias vezes pelo choro. “Como fui idiota. Achava-me a melhor mãe do mundo e não consegui enxergar o que acontecia com ela. Sempre tivemos uma relação de extrema cumplicidade, aberta e de muita conversa. Mas isso (as agressões do namorado) ela nunca me contou. Eu não podia imaginar”, lamenta.

Paula começou a namorar pouco antes de completar 16 anos. Como combinado com a mãe, um tempo depois, pediu uma consulta com o ginecologista, pois queria iniciar a vida sexual. Eu enrolei um pouco, achava cedo, mas ela insistiu e fomos. Levei-a a uma loja de lingerie, compramos uns conjuntinhos bonitos, e eu disse que, quando ela quisesse, eu os deixaria a sós no apartamento para que ela vivesse aquele momento e guardasse boas lembranças desse dia. Ela recusou. Disse que queria que eu estivesse lá, que não era para sair”, conta Juliana.

Em meados de agosto, a menina mudou o comportamento. Estava mais agressiva em casa. Juliana viu um roxo no braço da filha. A jovem respondeu que tinha machucado na escola, em um jogo. Um tempo depois, outra marca. “Ele (o namorado) tinha dormido em casa. Eu chamei a atenção dos dois. Ela disse que tinha sido uma brincadeira, e eu falei que isso não era brincadeira de casal. Ele (Pedro) se desculpou”, relembra.

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