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Informais » Feirantes e ambulantes querem trabalhar durante a Copa do Mundo

Agência Brasil

Publicação: 03/05/2014 17:59 Atualização:

Gladislene Conceição Duarte, 52 anos, há 11 anos retira o sustento da família da barraca de comida que mantém na tradicional Feira do Mineirinho, em Belo Horizonte. Ela e mais 400 expositores que trabalham no local tinham a expectativa de ganhar mais dinheiro durante a Copa do Mundo. Para a preparação da Copa das Confederações, contudo, ocorreu o inverso: a feira foi fechada e os vendedores ficaram sete meses sem ter onde trabalhar.

“Fecharam sem falar com ninguém. Passei a maior necessidade nos sete meses em que fiquei sem trabalhar”, relembra Gladislene. “Na reforma do Mineirão, eles cadastraram todas as árvores que foram arrancadas para fazer o estacionamento coberto e tiveram que plantar outras. Com os trabalhadores, ninguém catalogou, não viu quantos tinha, o que faziam, para arrumar outro local", conta Taine Cevidanes, 52, também feirante no Mineirinho.

Hoje, eles querem ter o direito de vender seus produtos, inclusive durante a Copa do Mundo, mas estão diante das restrições estabelecidas pela Lei Geral da Copa (12.663/13). A lei assegura à Fifa e aos grupos por ela indicados a exclusividade de comercializar nas chamadas Áreas de Restrição Comercial, que agregam tudo o que existe em um perímetro até 2 km em volta dos locais oficiais de competição. De acordo com a lei, “a delimitação das áreas de exclusividade relacionadas aos locais oficiais de competição não prejudicará as atividades dos estabelecimentos regularmente em funcionamento, desde que sem qualquer forma de associação aos eventos”.

Os feirantes do Mineirinho, embora ali trabalhassem de forma regulamentada há 11 anos, não venderão artesanato, alimentação ou vestuário em volta do estádio. Durante o campeonato, eles ficarão no local em que se encontram desde que conquistaram a reabertura da feira, uma área localizada no bairro da Pampulha, fora da zona de restrição criada pela lei. “Nós também precisamos trabalhar, nós temos família para sustentar”, afirma Gladislene, que questiona o que considera privilégios das empresas organizadores do Mundial: “Como que deixam a Fifa mandar aqui dentro? Quer dizer que só a Fifa tem que ganhar e a gente não?”.

Taine Cevidanes considera uma vitória a conquista do espaço, mesmo que seja temporário. “Fecharam a feira sem negociação nenhuma para ela voltar, nós conseguimos a volta da feira. Trabalhamos até o dia 30 de março lá no Mineirinho, e de novo tivemos que sair para eles colocarem a estrutura da Fifa no local, e de novo não tínhamos para onde ir. Solicitamos esse local na Pampulha e fomos atendidos”, comemora o feirante, que participa do Encontro dos Atingidos – Quem Perde com os Megaeventos e Megaempreendimentos, promovido pela Associação Nacional dos Comitês Populares da Copa, em Belo Horizonte.

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