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Levantamento » População de rua cresce 52% em Belo Horizonte Capital mineira tem 1.827 pessoas vivendo ao relento, 627 a mais do que em 2006

Publicação: 26/04/2014 09:03 Atualização:

Principais motivos para sair de casa são uso de álcool e drogas. Foto: Beto Magalhães/EM/D.A Press
Principais motivos para sair de casa são uso de álcool e drogas. Foto: Beto Magalhães/EM/D.A Press
O álcool e outras drogas, como o crack, estão entre o principais motivos que têm levados as pessoas a viver nas ruas de BH. Segundo o Censo da População de Rua, feito em 27 de novembro do ano passado e divulgado nessa sexta-feira pela prefeitura, a capital mineira tem 1.827 pessoas vivendo ao relento, 627 (52%) a mais do que em 2006, quando o levantamento da época contabilizou 1.200 pessoas. A maior parte, 94%, quer sair da rua, e o principal meio para isso é o trabalho assalariado. Houve aumento do número de moradores de rua que trabalham. Hoje, 12,5% deles têm carteira assinada, e, em 2008, eram 4%.

A principal motivação para terem saído de casa são brigas e rupturas familiares (52% dos casos), o abuso de álcool e outras drogas (44%), e o desemprego (36%). “O aumento de pessoas em situação de rua não é tão importante como a gente esperava. Entendemos que as políticas sociais têm impactado para diminuir a entrada de pessoas na situação de rua”, avalia o coordenador da pesquisa e do centro de referência em drogas da UFMG, professor Frederico Garcia.

A média de idade dessas pessoas aumentou de 32 anos para 40 anos nos últimos sete anos. “A gente observa que há um envelhecimento dessa população, com uma concentração acima de 30 anos”, disse o professor. Do total, 87% são homens, e 13%, mulheres. O número de mulheres (cerca de 240) é estável nos três últimos censos (2013, 2006 e 1998). Crianças e adolescentes não foram avaliados. Quanto à raça, 79% se declaram pardos ou negros, quando na população geral de BH são 52%.

Quase 80% da população de rua utiliza algum tipo de serviço de assistência social. Os mais comuns são as unidades de recolhimento, que são abrigos, albergues e pousadas da prefeitura (46%). Outros 32% são atendidos pelo serviço de abordagem de rua, feito por assistentes sociais e outros profissionais. Dos entrevistados, 38% procuram unidades de saúde básica, além dos centros de referência em assistência social. A pesquisa levantou ainda que 33% recebem alguma contribuição financeira do estado, como Bolsa-Família.

Família

A forma de ir para as ruas também mudou. No censo de 1998, 25% levava a família inteira para debaixo de pontes, marquises e viadutos. Hoje, a maioria vai sozinho. Apenas 5% tem algum parente o acompanhando. “Há uma mudança no perfil dessas pessoas. Antes, eram pessoas muita mais novas, que iam acompanhadas da família. Agora, são pessoas mais velhas que vão para as ruas sozinhas, sobretudo devido a essa ruptura familiar”, observa o professor.

Com relação a origem, há aumento do número de pessoas de BH. Houve queda de pessoas vindas do interior, mas aumentou quem chega de outros estados. Com relação ao motivo da imigração, 47% vieram para procurar trabalho e 18% por causa dos conflitos familiares.

Para o professor Frederico, a metodologia usada na última pesquisa foi satisfatória. “Conseguimos coletar uma amostra maior de dados. A estratégia de fazer o censo num dia só foi bem sucedida, que é considerada uma das melhores metodologias. A população de rua é muito móvel e quando você faz um estudo em um dia tem um retrato bem mais preciso de quem é essa população”, disse o professor.

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