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Segurança pública » Chefões do tráfico presos em Búzios Os dois detidos são suspeitos de ordenar os ataques a UPPs no Rio. Os bandidos, que integram a cúpula do comércio de drogas nos morros do Alemão e da Penha, estavam em uma casa de luxo do balneário fluminense

Correio Braziliense

Publicação: 22/04/2014 09:51 Atualização:

Dois traficantes foram presos ontem, suspeitos de ordenar ataques contra unidades de Polícia Pacificadora (UPPs), no Rio de Janeiro. Eduardo da Silva Procópio, o Bruno Piná, de 33 anos, e Eduardo Fernandes de Oliveira, conhecido como Eduardo 2D, de 26 anos, são considerados os chefes do tráfico na Vila Cruzeiro e no Complexo do Alemão. A dupla também é suspeita de ter dado a ordem de ataque à à Corrida da Paz, no ano passado, da qual participava o secretário estadual de Segurança, José Mariano Beltrame, e à sede da ONG Afroreggae, no Morro do Alemão.

A operação para capturar os bandidos reuniu efetivos da Polícia Federal, da Polícia Civil do Rio de Janeiro e da Subsecretaria de Inteligência da Secretaria de Segurança Pública do estado. Bruno Piná e Eduardo 2D não ofereceram resistência. No momento da prisão, eles estavam com parentes em uma casa de luxo, em Armação de Búzios, na Região dos Lagos, onde passavam a semana santa. De lá também teriam saído as ordens para que quatro ônibus fossem incendiados na manifestação dos moradores da comunidade do Caramujo, em Niterói, no último sábado. A população protestava por causa da morte de dois jovens em menos de 24 horas, um deles vítima de bala perdida quando ia para uma vigília de Páscoa promovida pela igreja que frequentava.

Os traficantes foram levados para a Cidade da Polícia, na Zona Norte do Rio de Janeiro. O Disque-Denúncia oferecia recompensa de R$ 5 mil para quem desse pistas sobre Piná e de R$ 1 mil por informações sobre Eduardo. “Eles eram bastante sanguinários e estavam envolvidos em ataques a UPPs e em Niterói. Eles não resistiram à prisão, foram cumpridos os mandados sem darmos um disparo”, informou o delegado da Polícia Federal Carlos Eduardo Thomé, chefe de operações da Divisão de Repressão a Entorpecentes.

Helicópteros
A polícia monitorava os dois homens havia 15 dias. Na última quinta-feira, efetivos policiais foram enviados para Búzios. Às 5h de ontem, a casa onde eles estavam com parentes e amigos foi identificada e, às 11h40, foi deflagrada a operação de prisão. Dois helicópteros da Polícia Civil acompanharam toda a movimentação. Na residência, que tinha três carros na garagem, não foram encontradas armas nem drogas, apenas uma quantia em dinheiro, cujo valor não foi revelado. “Essas prisões foram fundamentais para a segurança da cidade”, comemorou Thomé, em entrevista coletiva ao lado de Sérgio Sahione, da Inteligência da Secretaria de Segurança estadual.

Bruno Piná é suspeito de ocupar um dos mais altos postos do tráfico nas favelas do Complexo da Penha, onde gerencia algumas bocas de fumo. Ele é primo de Luiz Fernandes Procópio Ferreira, traficante conhecido como Escobar. Já Eduado 2D é gerente de Luciano Martiniano da Silva, o Pezão, um dos líderes do tráfico no Complexo do Alemão.

Novos ataques a tropas na Maré
A Força de Pacificação que atua no Complexo da Maré, na Zona Norte do Rio, foi alvo da ação de criminosos em quatro oportunidades entre a noite de domingo e a madrugada de ontem. Em três delas houve troca de tiros. Na Vila dos Pinheiros, por volta das 5h de segunda-feira, um motociclista disparou contra homens do Exército. Os soldados não revidaram, pois o atirador teria usado crianças como escudo. A Força de Pacificação disse que o emprego maciço da tropa na repressão ao tráfico de drogas tem provocado a reação dos criminosos. Os episódios não resultaram em feridos ou prisões.

Cronologia
Ataques contra UPPs

Maio e julho de 2013
» Em maio do ano passado, um tiroteio assustou os participantes da Corrida da Paz, no Complexo do Alemão, da qual participava o secretário de Segurança Pública do Rio, José Mariano Beltrame. Em julho, a sede da ONG Afroreggae foi incendiada e alvejada. Os ataques teriam sido ordenados por Bruno Piná e Eduardo 2D, presos ontem.

28 de janeiro de 2014
» A UPP do Complexo do Alemão, na Zona Norte, foi alvejada por tiros. Três dias depois, coquetéis molotov foram arremessados contra o prédio.

2 de fevereiro de 2014
» A policial militar Alda Rafaela Castilho foi morta em uma troca de tiros com criminosos, enquanto patrulhava uma favela no Complexo da Penha, na região da UPP Parque Proletário.

23 de fevereiro de 2014
» Moradores do Lins de Vasconcelos puseram fogo em um contêiner da UPP Camarista Méier, no Morro da Gambá, Zona Norte do Rio, durante um protesto. Um carro da PM foi depredado e três ônibus incendiados.

13 de março de 2014
» Leidson Silva, subcomandante da UPP Vila Cruzeiro, foi assassinado em tiroreio no Complexo da Penha. O tenente foi atingido na cabeça quando patrulhava a Favela Parque Proletário.

20 de março de 2014
» O comandante da UPP Manguinhos, capitão Gabriel Toledo, foi baleado na perna em um ataque à UPP Mandela, no Conjunto de Favelas de Manguinhos.

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