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Mal psicológico » Hábito de praticar a automutilação afeta adolescentes e jovens de Brasília Não há estudos sobre o tema no Brasil, mas pesquisas mundo afora indicam que o distúrbio atinge 20% dos rapazes e das moças

Adriana Bernardes - Correio Braziliense

Publicação: 20/04/2014 11:38 Atualização:

Cicatrizes sobrepostas. Feridas totalmente fechadas e outras em carne viva. Abertas, dia após dia, com qualquer objeto capaz de rasgar a pele. Quem se corta tem dificuldade em explicar as razões e, ainda mais, para abandonar o hábito que, segundo os relatos nas redes sociais, se torna um vício. Isso é o cutting, um termo em inglês que significa “corte” ou, em tradução livre, automutilação. No Brasil, ainda não há estudos sobre o tema, mas o distúrbio atinge um em cada cinco jovens, segundo pesquisas divulgadas nos Estados Unidos, no Japão e na Europa.

Em apenas dois meses de aula, professores de escolas públicas da região Norte do Distrito Federal detectaram, entre os alunos, grupos que fazem a automutilação. A descoberta deixou os profissionais da educação e os pais aterrorizados. Ao perceber os cortes nos braços da filha Ema*, de apenas 13 anos, Gabriela*, 33, chegou a pensar que a primogênita era vítima de violência. “Perguntei quem tinha feito aquilo com ela, se alguém a estava ameaçando, chantageando, se algum colega ou adulto a estava perseguindo. Quando ela disse que ela mesmo tinha feito aquilo por raiva sem dizer de quem ou do que, fiquei em pânico”, relata (veja Depoimento).

Diante das respostas evasivas da filha, Gabriela diz ter sido invadida por um sentimento de decepção, revolta e tristeza. Imediatamente, procurou a escola em que a menina estuda para tentar entender o que estava acontecendo. Lá, descobriu que pelo mais 10 adolescentes tinham o mesmo comportamento. A direção acionou o Conselho Tutelar, a Subsecretaria de Proteção às Vítimas de Violência (Pró-Vítima), o Ministério Público e a Polícia Militar. Convocou os pais de todos os estudantes envolvidos e percebeu, espantada, que alguns familiares reagiram como se isso fosse algo natural. “Da mesma forma que não podemos supervalorizar, não podemos achar que isso é uma coisa normal”, defende o diretor do colégio, Fábio*.

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