• (0) Comentários
  • Votação:
  • Compartilhe:

Esperança » Famílias aguardam o fim do coma profundo Os dramas, a fé e a dedicação de parentes

Sandra Kiefer -

Publicação: 20/04/2014 09:19 Atualização:

No domingo de Páscoa, a esperança de renovação da vida toca mais forte no coração dos familiares de pessoas em coma. Milhares de pacientes no Brasil estão deitados sobre a cama, há dias, meses e até anos inteiros, em uma espécie de sono profundo. Apenas no Hospital de Pronto-Socorro João XXIII, em BH, há cerca de 40 pessoas nesta situação. A maior parte delas é vítima de traumatismo craniano provocado por acidentes diversos, como o ex-piloto alemão Michael Schumacher, em coma desde dezembro, quando se acidentou esquiando nos Alpes Franceses.
Para o neurologista Antônio Lúcio Teixeira Júnior, pesquisador do Departamento de Clínica Médica da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), o país convive, atualmente, com duas epidemias em curso. “Uma é a do crack e a outra é do traumatismo craniano, provocado tanto pelos acidentes automobilísticos quanto pela guerrilha urbana, que imobiliza principalmente os jovens, atingidos por armas brancas e de fogo”, alerta. Calcula-se que, por ano, ocorram 130 mil mortes por traumas no país, enquanto outras 400 mil pessoas sobreviverão com sequelas, incluindo o coma.  

Para entender esta realidade pouco conhecida, que intriga até mesmo os médicos, o Estado de Minas publica a partir de hoje a série de reportagens “Vidas suspensas”. São relatos de uma lida solitária, que provoca uma reviravolta no cotidiano das famílias, caso do empresário Agostinho Scarpelli, que há sete anos e dois meses zela pela esposa Adriana, capaz apenas de abrir e fechar os olhos. “Decidi dar todo o suporte de que a Adriana precisa. Por mais dura que seja a situação, nossos filhos vão saber o que é a força da família”, ensina o empresário, que assumiu sozinho os cuidados com a mulher e os dois garotos, hoje com 14 e 18 anos.

Aos olhos da medicina, só mesmo um milagre é capaz de despertar pacientes de um coma prolongado. Segundo Gisele Sampaio Silva, médica do Departamento de Doenças Cérebro-vasculares e Terapia Intensiva em Neurologia da Academia Brasileira de Neurologia (ABN), depois de três meses em coma, o paciente de traumatismo craniano recupera-se totalmente ou entra no estado vegetativo, que se torna persistente depois de um ano. Se a causa for acidente vascular cerebral (AVC), depois de três meses o coma já se torna persistente. “As chances de recuperação são ínfimas”, diz ela, que, em 15 anos de atuação na área, nunca viu ninguém acordar após os prazos clínicos estabelecidos.

Esta matéria tem: (0) comentários

Não existem comentários ainda

Comentar

Para comentar essa notícia entre com seu e-mail e senha

Caso você não tenha cadastro,
Clique aqui e faça seu cadastro gratuito.
Esqueci minha senha »



Os comentários abaixo não representam a opinião do jornal Diario de Pernambuco; a responsabilidade é do autor da mensagem.