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Exploração » 2013: fiscais flagraram 20 casos de trabalho infantil em terminais fluviais

Leilane Menezes - Correio Braziliense

Helena Mader - Correio Braziliense

Publicação: 15/04/2014 07:24 Atualização: 15/04/2014 07:41

Foto: Monique Renne/Esp./CB/D.A Press (Monique Renne/Esp./CB/D.A Press)
Foto: Monique Renne/Esp./CB/D.A Press

A grande movimentação de cargas e passageiros nos portos brasileiros atrai trabalhadores interessados em lucrar com o fluxo de mercadorias e de visitantes. Feiras instalam-se nas proximidades, e ambulantes montam barracas para criar um comércio paralelo, que se alimenta da força do trabalho de pessoas de qualquer idade. A série Cais do abandono revela hoje denúncias da exploração do trabalho infantil em zonas portuárias.

A presença de crianças em atividades insalubres é tratada com normalidade e parece não chocar turistas ou nativos, que se beneficiam de serviços baratos, prestados por jovens carregadores de bagagem e vendedores de água e de alimentos. Com a proximidade da Copa do Mundo, aumenta o risco da exploração do trabalho de meninas e meninos em atividades como comércio ambulante ou o recolhimento de material reciclável.

Desde 2007, os fiscais flagraram 46,1 mil crianças em trabalho irregular no Brasil. No ano passado, foram 7,4 mil casos, número 15% superior aos registrados no ano anterior. De acordo com estimativas da última Pesquisa Nacional de Dados por Amostra de Domicílios (Pnad), existem no Brasil hoje 3,5 milhões de crianças e adolescentes com idade entre 5 e 17 anos em situação de trabalho irregular. Não há estatísticas focadas nas áreas portuárias, mas é fácil constatar que essa é a violação de direitos humanos mais recorrente nos terminais marítimos e fluviais.

Pensar em uma profissão é refletir sobre o impossível aos olhos de Japão*, 17 anos. Sem identidade ou CPF, o adolescente não existe para o governo, não frequenta escola nem se beneficia de políticas públicas. Nas ruas de Salvador, o semblante vazio de expectativas se mistura a outros tantos, sem endereço fixo ou nome do pai na certidão de nascimento. O garoto recebeu esse apelido graças aos traços orientais. Desde os 7 anos, Japão ignora o nome dado a ele pela mãe. Foi nessa idade que a viu pela última vez, quando a casa onde moravam desabou e não pôde ser reconstruída por falta de dinheiro. Mãe e filho foram encaminhados para abrigos diferentes.

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