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Segurança pública » Pacificação segue com Forças Armadas Um dia depois de morte cometida por fuzileiro naval no Complexo da Maré, Pezão descarta alterações no policiamento da área. Comandante da ação anuncia disque-denúncia para encontrar traficantes

Correio Braziliense

Publicação: 14/04/2014 09:24 Atualização: 14/04/2014 11:30

Um dia depois de morte cometida por fuzileiro naval no Rio de Janeiro, governo descarta mudanças no policiamento da área. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
Um dia depois de morte cometida por fuzileiro naval no Rio de Janeiro, governo descarta mudanças no policiamento da área. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
Um dia depois da primeira morte cometida por homens das Forças Armadas que atuam no Complexo da Maré, Zona Norte do Rio de Janeiro, o governador Luiz Fernando Pezão descartou a possibilidade de reforçar o efetivo de policiais e militares para controlar a região. Ele elogiou os primeiros resultados, após duas semanas de o conjunto de favelas ter sido ocupado  foi ocupado pelas forças de segurança e de uma semana que o comando da operação passou para o Exército. Pezão, entretanto, evitou comentar a morte de Jefferson Rodrigues da Silva, 18 anos, depois de ser baleado por um fuzileiro naval na manhã de sábado.

O governador destacou que só falaria sobre o caso depois que o relatório técnico da Polícia Civil ficasse pronto. Tanto cuidado ao tocar no assunto se explica pelas versões conflitantes do episódio. Enquanto o Exército afirma que os militares revidaram tiros vindos de Jefferson e de um segundo suspeito de ligação com o tráfico, moradores do Complexo da Maré garantem que o rapaz não tinha qualquer atividade ilícita e que trabalhava em um lava a jato próximo. A morte amplifica as críticas sobre a atuação das Forças Armadas na segurança pública.

Pezão lembrou que o Complexo da Maré é uma região delicada, por abrigar duas facções do tráfico rivais, além de milicianos — policiais corruptos que controlam o território, extorquindo moradores e punindo quem não cumpre as regras impostas por eles. O governador falou durante uma visita à Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) do Morro dos Prazeres, em Santa Teresa. Nesse mesmo evento, o prefeito do Rio, Eduardo Paes, anunciou que vai investir R$ 7,3 milhões para construir dois prédios e reformar oito imóveis que abrigam UPPs.

Denúncia
O comandante-geral da Força de Pacificação do Complexo da Maré, general Roberto Escoto, disse ontem que as Forças Armadas lançarão, esta semana, o Disque-Pacificação. O canal de comunicação será instalado para que moradores façam denúncias às autoridades. Para propagandear a iniciativa, panfletos deverão ser entregues à população. A ideia é garantir o anonimato, para que as pessoas indiquem onde estão escondidos traficantes, drogas e armas. Funcionará nos mesmos moldes do Disque-Denúncia que já existe no Rio. A região envolve 130 mil moradores.

Escoto afirmou que ainda há traficantes nas comunidades da Maré. Muitos, entretanto, caminham ostensivamente, sem armas, já que não têm passagem pela polícia. Nesses casos, a prisão tem de se dar por flagrante. Para auxiliar os militares, afirmou o general, foi montada uma central de inteligência no complexo de favelas. O intuito é identificar os líderes do tráfico local. Um segundo alvo são os milicianos que atuam em determinadas comunidades.

A teia de grupos paralelos ao Estado, no Complexo da Maré, torna a vida da população um tormento. Segundo Escoto, é comum verificar moradores que, por serem de determinada favela, não podem ultrapassar alguns limites geográficos. Traficantes e milicianos são conhecidos pelo uso da extrema violência no controle do território, com punições cruéis a quem contraria seus interesses ou se mostra a favor da polícia. Com o apoio das Forças Armadas, o governo do Rio tenta preparar a região para receber uma UPP.

Localização
A dois meses da Copa do Mundo, pacificar o Complexo da Maré é tarefa urgente do governo do Rio de Janeiro. Isso porque o conjunto de favelas formado por 15 comunidades se localiza em um ponto estratégico na recepção dos turistas que visitarão a cidade. Está situado na rota do Aeroporto Internacional do Galeão, entre a Avenida Brasil e a Linha Vermelha. As duas vias costumam ser bloqueadas quando há tiroteios ou mesmo por ordem do tráfico. 

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