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Belo Horizonte » BRT completa um mês com boa aceitação, mas ainda precisa melhorar Sistema atraiu ex-adeptos do carro, como o promotor de Justiça que adotou ônibus para ir trabalhar

Valquiria Lopes -

Shirley Pacelli

Publicação: 08/04/2014 07:41 Atualização:

O promotor Leonardo Barbabela: 'Não troco a viagem de BRT pelo percurso de carro, que é muito caro, estressante e demorado' Foto: Jair Amaral/EM/D.A.Press	 (Jair Amaral/EM/D.A.Press)
O promotor Leonardo Barbabela: 'Não troco a viagem de BRT pelo percurso de carro, que é muito caro, estressante e demorado' Foto: Jair Amaral/EM/D.A.Press

Há um mês, o terno diariamente usado em audiências, reuniões e encontros formais já não é mais levado no encosto do banco do passageiro do carro particular. Dobrado, o traje social é transportado em uma mochila discreta, que o promotor de Justiça Leonardo Barbabela, coordenador do Centro de Apoio às Promotorias de Defesa do Patrimônio Público (Caopp), carrega nas costas. Desde a inauguração do Move, que hoje comemora 30 dias, Barbabela passou a deixar o automóvel em casa, no Bairro Renascença (Região Nordeste), e seguir para o trabalho usando o novo sistema de transporte de Belo Horizonte. Depois de anos usando o carro para trabalhar, ele compara os dois modos de transporte: “Minha avaliação sobre o BRT é extremamente positiva”. A opinião do promotor é comum entre passageiros que migraram dos ônibus convencionais para o novo sistema de transporte da capital. Entretanto, não são apenas elogios que marcam o primeiro mês de operação do Move. Todos os usuários entrevistados ontem pelo Estado de Minas fazem considerações importantes para a melhoria do modal, que teve inauguração conturbada em 8 de março, marcada por falhas e falta de informação.

No caso do promotor, a análise positiva se justifica pela economia com combustível, ganho em conforto e tempo. “Não troco o BRT pelo percurso de carro, mesmo se estivesse com motorista particular, que eventualmente uso para reuniões fora do MP. O trajeto de carro é muito caro, estressante e demorado”, diz o promotor, que historicamente atua na vigilância da mobilidade na capital. Para completar o percurso até a sede do MP, no Bairro Santo Agostinho, Barbabela pega um táxi na Avenida Paraná, último ponto do BRT na Área Central. “Mesmo com esse gasto a mais, a despesa com transporte é R$ 200 menor. De carro, tinha um custo de R$ 540 mensal. Hoje, não passa de R$ 340”, explica. Ele ainda faz outra comparação. “O tempo da ida para o trabalho caiu de 40 para 25 minutos. E, na volta, de uma hora e 10 minutos para 30 minutos, em média”, afirma.

O promotor, no entanto, defende o acréscimo de ônibus ao quadro de viagens, para que os intervalos entre uma saída e outra sejam reduzidos. “O tempo entre as viagens pode ser menor. E outros corredores da cidade e também a região metropolitana devem ser atendidos pelo BRT.”

A leitura positiva, com ressalvas, que o promotor faz dos 30 dias de operação do Move é comum entre passageiros do novo sistema. A análise está relacionada com o conforto dos ônibus articulados, automáticos e com ar condicionado das três linhas que saem da estação São Gabriel em direção ao Centro e à Região Hospitalar. Mas também há queixas a respeito de superlotação e desrespeito às prioridades dentro dos coletivos.

Os ônibus cheios vêm sendo observados mesmo fora do horário de pico, de acordo com o aposentado José Martins Laia, de 66 anos. “Já andei de BRT quatro vezes e em nenhuma delas consegui ir sentado, mesmo tendo prioridade nos assentos. Os ônibus estão sempre cheios. Além disso, falta fiscalização para que haja respeito com quem tem preferência”, acredita José Martins, que ontem fez o percurso entre o Centro e a estação Minas Shopping em pé. Ele acredita que a superlotação seja resultado do baixo número de veículos. “Se houvesse mais ônibus nas linhas, poderíamos ter mais conforto. Não que o sistema seja ruim. Pelo contrário. Melhorou muito, pois os coletivos são mais confortáveis e modernos que os normais”, conta o aposentado.

A comerciante Geralda Costa Silva, de 36, moradora do Bairro Jardim Belmonte, na Região Nordeste de Belo Horizonte, avalia que o novo sistema de transporte coletivo facilitou sua vida. Semanalmente, ela vai ao Centro para comprar suprimentos para sua sorveteria e pega o Move na Estação São Gabriel. Com mais sorte, ela diz que na maior parte das vezes consegue fazer o trajeto sentada. “O 808 (Estação São Gabriel/Paulo VI), linha que eu pegava antes, estava sempre cheio”, afirma.

O conforto dos novos veículos articulados também facilitou a vida do motorista Ismael Valério Gomes, que há 18 anos trabalha em linhas de ônibus convencionais. Há um mês no BRT ele enumera os ganhos: “Os veículos são mais ágeis, têm mais tecnologia e são melhores de dirigir. A gente fica menos cansado ao fim do expediente”, conta.

A estudante Samanta Paula de Oliveira Silva, de 17 anos, usa diariamente o BRT desde a inauguração. Ela também mora na Região Nordeste da capital, no Bairro Nazaré. De segunda à sexta-feira, pega a linha 83D (Estação São Gabriel/Centro) para chegar à Escola Estadual Olegário Maciel, no Centro, onde cursa o 3º ano do Ensino Médio. “Melhorou muito o meu percurso. Minha escola tem tolerância de 10 minutos para a entrada depois do horário e antes eu sempre chegava atrasada”, conta.

Apesar disso, a jovem diz que é preciso resolver alguns problemas no sistema, como a falta de estrutura de algumas estações e de informação para os passageiros. “Outro dia uma mulher ficou gritando com o motorista porque ele não passou na Rua São Paulo. Ela não conhecia o novo trajeto. E em alguns veículos o ar-condicionado fica pingando água na gente ”, reclama. Samanta também lembrou do possível aumento das passagens que, segundo ela, serão alguns centavos a mais que pesarão no orçamento.

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