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Minas Gerais » Moradores relatam pânico dutrante tremores de terra em Montes Claros Terra volta a tremer no Norte de Minas, assustando moradores. Observatório detecta fenômenos com até 4,2 pontos na escala Richter, que deixaram 90 mil domicílios sem luz

Luiz Ribeiro

Publicação: 07/04/2014 07:25 Atualização:

No último domingo, o chão balançou de novo em Montes Claros. Cinco tremores assustaram moradores do Norte de Minas – o mais forte, às 10h40, atingiu 4,2 pontos na escala Richter, registrados pelo Observatório Sismológico da Universidade de Brasília (UnB). Por 45 minutos, 90 mil domicílios norte-mineiros ficaram sem luz – 70 mil deles em Montes Claros, metade dos imóveis da cidade. Os outros 20 mil ficam nos municípios de Coração de Jesus, Grão Mogol e Botumirim.

De acordo com a Cemig, os tremores provocaram problemas na subestação de energia que fica perto do epicentro do fenômeno. Serviços de telefonia e internet foram temporariamente interrompidos. Depois do abalo mais intenso, seguiram-se três menores, chamados réplicas. Às 16h31, o fenômeno voltou a assustar, alcançando 4,1 pontos, segundo a UnB.

O reboco do teto de uma casa caiu e uma criança ficou levemente ferida. Na Vila Alice, um telhado foi danificado. Os serviços de telefonia deixaram de funcionar por cerca de 30 minutos. O Corpo de Bombeiros recebeu cerca de 200 chamadas de pessoas assustadas, pedindo orientação. Os tremores acabaram também com o sossego de frequentadores de bares e clubes de Montes Claros.

Maio Fenômenos sísmicos não são novidade para os montes-clarenses. Em maio de 2012, um tremor de 4,2 pontos na escala Richter provocou rachaduras em cerca 60 casas na Vila Atlântica, situada na área onde há uma falha geológica.

Desta vez, o susto foi considerável, pois os cinco tremores ocorreram no mesmo dia. Moradores se angustiaram com a falta de informações sobre a intensidade do fenômeno. Ontem de manhã, logo em seguida ao primeiro tremor, entrou em ação a força-tarefa formada por Corpo de Bombeiros, Polícia Militar, Cemig, Defesa Civil Municipal e Guarda Municipal. No entanto, a equipe não conseguiu informações oficiais do Observatório Sismológico da UnB sobre a magnitude dos abalos. O órgão é encarregado de monitorar tremores de terra no país.

O coordenador municipal de Defesa Civil de Montes Claros, Mattsson Malveira, disse que a falta de dados oficiais dificulta o trabalho de prevenção e orientação aos moradores. “É preciso postura mais séria por parte do governo federal. Necessitamos de informações mais detalhadas para podermos ajudar a população”, criticou Malveira. De acordo com ele, a situação foi atípica, pois houve vários tremores no mesmo dia.

O chefe do Observatório Sismológico da UnB, professor Lucas Vieira Barros, explicou ao EM que se encontrava numa cidade-satélite de Brasília. No fim de semana, não há funcionários no Observatório, informou. No fim da tarde, o próprio professor foi à sede do órgão providenciar a leitura dos dados.

De acordo com o especialista, aparelhos registraram as magnitudes do primeiro e do último abalos, mais fortes. “Os outros tremores, secundários ao primeiro, foram de menor intensidade. É necessária leitura mais precisa para poder calculá-los”, afirmou.

Pânico e casa interditada

Ana Carolina Ferreira Mesquita, de 14 anos, assistia à TV na sala da pequena casa onde mora, no Bairro Delfino, quando despencou o reboco do teto. Um fragmento atingiu a adolescente. “Só fez um ‘galo’ na minha cabeça”, contou ela, muito assustada. Por causa da chuva, há infiltrações na laje, o que contribuiu para a queda do reboco.

O imóvel foi interditado pelo Corpo de Bombeiros. “Não sabemos para onde ir”, reclamou, desolado, o agente sanitário Francisco José Mesquita, de 43, pai de Ana Carolina. “Agora, só Deus”, lamentou a menina.

No Centro de Montes Claros, mais pânico. Uma mulher, que não quis se identificar, saiu correndo para a rua depois de ver surgirem rachaduras na parede da cozinha de seu apartamento, no terceiro andar. O Corpo de Bombeiros foi acionado para resgatar três pessoas presas em elevadores. Apenas uma foi atendida. No caso das outras duas, a energia elétrica voltou antes da chegada dos agentes. Na Vila Alice, o telhado de uma casa foi danificado.

O tremor da manhã foi sentido com mais intensidade na Vila Atlântica, que fica perto do epicentro do abalo. Os moradores saíram correndo, muito assustados. “Estava lavando roupas, e a casa toda balançou”, contou a doméstica Sueli Pereira da Silva. No final da manhã, ela ainda temia voltar para sua residência.

Vizinha de Sueli, a auxiliar Alaíde Ferreira da Fonseca não escondia a apreensão. “O tremor foi muito forte”, revelou. Apesar do susto, Alaíde teve um consolo: desta vez, não houve rachaduras em sua casa, como ocorreu anteriormente.

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