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Machismo » Pesquisa: 65% concordam que "mulheres que mostram o corpo merecem ser atacadas"

Correio Braziliense

Publicação: 28/03/2014 08:35 Atualização: 28/03/2014 09:37

Foto: Fábio Cortez/DN/D.A Press/Arquivo
Foto: Fábio Cortez/DN/D.A Press/Arquivo
Por cerca de dois anos, a estudante D.A, 16 anos, sofreu em silêncio com a violência sexual dentro da própria casa, em Ceilândia Norte. Aos 14 anos, a menina sentia medo de denunciar o homem a quem ela chamava de avô. “Ele ameaçava dizendo que ia matar minha mãe, meu pai”, lembra. O marido da avó paterna abusou da joven até setembro do ano passado, quando foi preso. D.A. é apenas uma entre milhares de meninas brasileiras que sofrem com uma rotina de estupros. Cerca de 70% das vítimas desse tipo de agressão são crianças e adolescentes, aponta pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

O instituto também mediu a tolerância social dos brasileiros aos casos de violência contra a mulher. A pesquisa chegou a resultados alarmantes. Mais da metade dos entrevistados concordaram com a frase “Se as mulheres soubessem se comportar haveria menos estupros” e, mais grave, acreditam que aquelas que usam roupas sensuais “merecem ser atacadas”. (Leia mais abaixo).

Já o estudo sobre violência sexual foi baseado nos dados de 2011 do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) do Ministério da Saúde (MS). Naquele ano, foram notificados 12.087 casos de estupro no Brasil. O pesquisador Daniel Cerqueira explica que só foram computados os casos em que as vítimas procuraram o serviço público de saúde. Segundo estimativa do Ipea, pelo menos 527 mil pessoas são alvo de estupros ou tentativas de violência sexual por ano, no Brasil.

As vítimas de estupro são, na maioria, mulheres com menos de 17 anos. Cerqueira destaca que 11,3% dos abusos sexuais envolvendo crianças foram cometidos pelos próprios pais, justamente quem deveria protegê-las. “É um quadro que revela uma grave doença coletiva, de uma sociedade em estágio pré-civilizatório”, diz. Subsecretária de Proteção às Vítimas de Violência (Pró-Vítima) do Governo do Distrito Federal, Valéria Velasco confirma que a maioria dos casos atendidos em Brasília tem como agressor um parente ou um amigo da família da vítima. “Esses conhecidos se escoram na confiança que a família deposita. A denúncia da vítima pode ser tratada como invenção. Esse tipo de criminoso é o mais perigoso”, argumenta.

Lei do silêncio
Como a maioria dos crimes é praticada dentro de casa, é pequena a parcela da população que denuncia os agressores. De acordo com a pesquisa do Ipea, apenas 10% das pessoas agredidas procuram a polícia. A lavradora S.S.F., de 37 anos, por exemplo, suportou a violência física e sexual do marido por mais de 20 anos. Ela conta que, há um mês, deixou a fazenda onde morava, no interior do Pará, e veio para Brasília. Aqui, enfim, denunciou o agressor. “Eu não conhecia o direito das mulheres. Meu marido dizia que toda mulher que denunciava acabava morrendo. Ele me botava muito medo e eu tinha que fazer.”

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