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Mulher arrastada » Governador do Rio de Janeiro vê expulsão como pena mínima Governador fluminense admite que os três militares que arrastaram mulher em avenida devam ser banidos da PM

Estado de Minas

Publicação: 19/03/2014 09:12 Atualização:

Em entrevista coletiva durante um evento em Nilópolis, na Baixada Fluminense, o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, classificou a atitude dos três policiais militares acusados de arrastar por 350 metros a auxiliar de serviços gerais Cláudia da Silva Ferreira, e 38 anos, baleada na manhã de domingo no Morro da Congonha, em Madureira. “Trata-se de um caso repugnante. Foi desumano desde o atendimento até a forma como ela foi colocada dentro da viatura. Foi uma cena abominável. Eles vão responder por isso”, disse Cabral, afirmando ainda que a expulsão deles “é o mínimo que pode acontecer”.

O governador fluminense destacou: “Em mais de sete anos de governo, estamos fazendo um grande esforço para pacificar comunidades e reduzir índices criminais. Eles estão presos e vão responder por essa barbaridade. Eu tenho certeza que a grande maioria dos seus colegas repudia essa atitude. Não há qualquer tipo de conivência desse governo. Tudo será investigado e a sociedade vai cobrar”, disse Cabral.

Ontem, po meio de sua conta oficial no Twitter, a presidente Dilma Rousseff enviou, na manhã de ontem, uma mensagem de solidariedade à família de Cláudia. “A morte de Cláudia chocou o país. Nessa hora de tristeza e dor, presto minha solidariedade à família e amigos dela”. A presidente lembrou que Cláudia tinha quatro filhos e “acordava de madrugada para trabalhar em um hospital”.

Os três militares – dois subtenentes e um sargento – vão prestar um novo depoimento hoje. Presos disciplinarmente, eles já haviam sido ouvidos pela Polícia Civil e por seus superiores antes da divulgação do vídeo em que a mulher aparece sendo arrastada. O inquérito da polícia agora apura em que circunstâncias ela caiu do carro da PM e foi puxado rua afora. Uma perícia será feita na Avenida Intendente Magalhães, em Campinho, onde Cláudia caiu, pois a polícia quer saber se ela morreu em decorrência do tiro ou da queda do veículo em movimento. Os subtenentes Rodney Miguel Arcanjo e Adir Serrano Machado, que estavam à frente da patrulha que arrastou Cláudia, já responderam a inquéritos por homicídio. Os dois oficiais e o sargento Alex Sandro da Silva, que também estava na viatura policial, foram presos na segunda-feira por determinação do comando da PM.

Laudo do iml A morte de Cláudia Silva Ferreira foi causada por tiros, concluiu o laudo do Instituto Médico Legal, que ainda realizará perícias complementares. O óbito decorreu de uma “laceração cardíaca e pulmonar de ferimento transfixante do tórax por ação perfurocortante”. Segundo a filha da vítima, “quando a socorreram, ela não tinha nada na perna, mas quando chegou ao hospital, já morta, sua perna direita estava em carne viva”. Ontem, a família de Cláudia exigiu ações concretas do governo. A PM, por sua vez, informou que a mulher foi encontrada baleada, com um tiro no pescoço e outro nas costas. Ela foi resgatada pelos PMs na Rua Joana Resende e colocada no porta-malas de uma viatura, uma Blazer. No caminho para o hospital Carlos Chagas, o porta-malas se abriu e o corpo da mulher foi arrastado, causando graves ferimentos a ela. A cena foi registrada em celular por um carro que seguia atrás e o vídeo foi divulgado no site de um jornal carioca.

Casada, mãe de quatro filhos, Cláudia saiu de casa, na manhã de domingo, para comprar pão. No caminho até a padaria, ela foi surpreendida por uma troca de tiros entre policiais e traficantes da comunidade onde morava. “Trataram minha mulher como um bicho”, disse o marido dela, o vigilante Alexandre da Silva, de 41 anos.

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