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Educação » Universidade de Brasília deve reduzir cota exclusiva para negros

Correio Braziliense

Publicação: 15/03/2014 09:38 Atualização:

 (Foto: Carlos Moura/CB/D.A.Press)
O futuro das cotas para negros na Universidade de Brasília (UnB) será debatido ao longo dos próximos dias. Após uma década de implantação, há uma forte tendência de que o percentual de reserva de vagas caia de 20% para 5%. Essa foi a proposta apresentada pela comissão responsável por avaliar o sistema e que recebe o apoio da maioria dos institutos e faculdades representados na última reunião do Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (Cepe), na quinta-feira. A deliberação do conselho sobre o tema foi adiada a pedido dos estudantes, e um novo encontro foi marcado para 3 de abril.

“A minha avaliação da reunião de ontem (quinta-feira) é de que o conselho se posicionou, em diversas ocasiões, a favor do que definiu a comissão”, afirma o reitor da UnB, Ivan Camargo. Para ele, o sistema provavelmente teria se mantido da forma como é hoje não fosse a sanção da Lei nº 12.711, de 2012, que determina a destinação de 50% das oportunidades a estudantes de escolas públicas e abarca cotas raciais. Na opinião do reitor, a autonomia universitária fica em segundo plano com a criação de uma lei federal. “Eu acho que essa uniformização das universidade é ruim, pois torna as instituições iguais, que é tudo o que o não queremos”, critica.

“O fato de a UnB ter liderado esse processo 10 anos atrás foi muito positivo, assim como a minha experiência com estudantes negros no Departamento de Engenharia Elétrica. A mudança no perfil da universidade é nítida”, destaca o reitor, que reforça a importância da participação da comunidade externa na discussão. Está marcada para a próxima sexta-feira, às 12h, em local a ser definido, uma audiência pública para apresentar o balanço sobre a primeira década da ação afirmativa.

O professor de antropologia da UnB e coordenador do Instituto de Inclusão no Ensino Superior e na Pesquisa do CNPq José Jorge Carvalho, idealizador do modelo de cotas da UnB, afirma que a ideia não é acabar com o sistema. “A proposta é que continuem as cotas, complementando a lei federal. Podemos até propor que os 20% sejam mantidos, mas acho difícil que seja aprovada uma porcentagem tão alta. Queremos manter 5% para compensar exclusões e retrocessos, como o de que só pode concorrer a uma vaga, segundo a lei, quem tiver estudado em escola pública”, explica.

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