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Saúde » Meta de 600 mil profissionais do Mais Médicos não deve ser alcançada A meta foi divulgada no ano passado, em meio ao lançamento do programa

Julia Chaib - Correio Braziliense

Publicação: 15/03/2014 09:31 Atualização: 15/03/2014 09:38

 (Foto: Carlos Vieira/CB/D.A.Press)
A promessa feita pelo governo federal de ter 600 mil médicos atuando no país em 2026 dificilmente será atingida — hoje, há 390,5 mil profissionais com registro nos conselhos regionais de medicina. A meta foi divulgada no ano passado, em meio ao lançamento do Mais Médicos. Uma das frentes do programa é justamente a abertura de 11.447 vagas de graduação até 2017. Mesmo assim, ainda haveria um deficit de 56,3 mil profissionais. O objetivo não seria alcançado nem se a frente de intercâmbio de cubanos fosse uma política permanente de governo. Para entidades médicas, no lugar de gastar mais de R$ 1 bilhão para trazer profissionais da ilha caribenha, o governo deveria investir esse valor na qualidade da graduação.

Segundo o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), com base no Censo Universitário 2012, o número de profissionais que se formam em medicina é de, aproximadamente, 16 mil por ano. No entanto, de acordo com o estudo Demografia Médica, do Conselho Federal de Medicina (CFM), cerca de 8 mil deixam a atividade anualmente, seja por aposentadoria ou por outros motivos. Dessa forma, cerca de 8 mil novos profissionais ingressam no mercado por ano. Ou seja, até 2026, serão 96 mil médicos. Levando-se em consideração que, a partir de 2022, estarão formados aqueles que iniciaram o curso nas vagas abertas até 2017, haverá mais 57,2 mil profissionais — no pior dos cenários para o governo. Somando esses números com os 390,5 mil médicos que trabalham atualmente, chega-se a 543,7 mil — um deficit de 56,3 mil abaixo da promessa oficial.

Hoje, o Brasil tem 1,8 médico por mil habitantes e quer atingir a meta do Reino Unido, com 2,7 profissionais pelo mesmo grupo populacional. Mas, para chegar a esse índice, a conta não fecha nem mesmo com a importação de profissionais de outros países. Essa medida, iniciada em 2013, ficará vigente até 2016, podendo ser renovada por mais três anos. Hoje, há 11,4 mil cubanos atuando no programa federal.

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