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Democracia racial » Debate no Rio marca centenário de Abdias Nascimento

Agência Brasil

Publicação: 14/03/2014 07:53 Atualização:

A professora Elisa Larkin Nascimento, viúva do escritor Abdias Nascimento e diretora do Instituto de Pesquisas e Estudos Afro-Brasileiros (Ipeafro), participa hoje (14), no Rio, de um debate sobre a democracia racial no Brasil, nos Estados Unidos e na África do Sul. Será das 10h às 13h, no Clube de Engenharia.

Além de homenagear o centenário de nascimento do escritor, o evento lembra os 50 anos do I Have a Dream , o histórico discurso do pastor e ativista político norte-americano Martin Luther King, contra o racismo e em favor da igualdade de direitos entre negros e brancos em seu país. O debate Democracia Racial: Os Objetivos Foram Atingidos também homenageará o ex-presidente sul-africano Nelson Mandela (1918-2013), líder da luta contra o apartheid (segregação racial) em seu país e Prêmio Nobel da Paz de 1993.

Escritor, jornalista, artista plástico, teatrólogo, ator, poeta e político, Abdias Nascimento (1914-2011) foi um dos maiores ativistas da luta pelos direitos humanos no Brasil e, especialmente, pela cidadania da população afrodescendente. Sua data de nascimento, 14 de março, é, desde 2009, por lei estadual, o Dia do Ativista no Rio de Janeiro.

Nascido na cidade de Franca (SP), Abdias começou a luta pela igualdade racial ainda estudante, na capital paulista, onde em 1936 foi preso por protestar contra a exigência de entrar em uma boate pela porta dos fundos, por ser negro. Em 1944, já vivendo no Rio, ele fundou o Teatro Experimental do Negro (TEN). Iniciativa inédita e ousada, a companhia teatral formada por atores e atrizes negros teve no seu elenco, entre outros nomes, Ruth de Souza, Léa Garcia e Haroldo Costa.

Em 1947, Abdias Nascimento criou o jornal Quilombo, que lutava por medidas que haviam sido propostas na Assembleia Constituinte de 1945, como a questão da igualdade racial e a própria ideia de ações afirmativas. Eram questões que só bem mais tarde, no fim do século 20 e início do atual, viriam a ser concretizadas por meio de políticas públicas no Brasil.

Durante a ditadura militar implantada no país após o golpe de 1964, o ativista sofreu pressões e acabou se exilando nos Estados Unidos, a partir de 1968. De volta ao Brasil, Abdias Nascimento iniciou carreira política, militando no PDT, partido pelo qual se elegeu deputado federal (1983-1987) e se tornou senador da República, como suplente de Darcy Ribeiro, exercendo o mandato de 1991 a 1992 e de 1997 a 1999.

“Ele agiu em diversas áreas, artísticas, políticas e intelectuais, no sentido de promover a população afrodescendente e sua cultura e  os direitos que eram negados a essas duas matrizes por uma sociedade racista”, disse Elisa Larkin. "Abdias representa a primeira voz no século 20 que uniu a reivindicação e a defesa dos direitos humanos e civis dessa população ao direito dela de valorizar sua cultura e sua identidade própria”, acrescentou.

Abdias Nascimento morreu em 23 de maio de 2011, aos 97 anos, vítima de complicações decorrentes do diabetes. Em cumprimento a um desejo seu, o corpo foi cremado e as cinzas lançadas na Serra da Barriga, em Alagoas, local do maior centro da resistência negra no Brasil, o Quilombo dos Palmares.

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