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Rio de Janeiro » Julgamento do caso Amarildo será retomado na tarde desta quarta-feira

Filipe Barros - Diario de Pernambuco

Publicação: 12/03/2014 10:55 Atualização:

A audiência de instrução e julgamento dos 25 PMs acusados de envolvimento no desaparecimento e morte presumida do ajudante de pedreiro Amarildo de Souza, na noite de 14 de julho do ano passado, será retomada na tarde desta quarta-feira (12), na 35ª Vara Criminal do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro. Os 25 PMs aguardam o julgamento presos preventivamente e respondem pelos crimes de tortura seguida de morte, ocultação de cadáver, formação de quadrilha e fraude processual. Amarildo desapareceu quando foi conduzido por PMs de sua casa à sede da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) da Favela da Rocinha, zona sul do Rio.

Hoje serão ouvidas outras 20 pessoas nomeadas pela defesa, e, de acordo com o advogado João Tancredo, entre as testemunhas está a esposa de Amarildo de Souza, Elisabete Gomes. Na primeira sessão da audiência, realizada em 22 de fevereiro, foram ouvidas três das 19 testemunhas de acusação: os delegados Rivaldo Barbosa e Ellen Souto, e o inspetor Rafael Rangel. Lotados na Divisão de Homicídios (DH), os três estiveram à frente das investigações. Nesta quarta, a juíza Daniella Alvarez Prado vai continuar a ouvir testemunhas arroladas pelo Ministério Público. Caso não haja tempo para todos os depoimentos, uma nova sessão será marcada. Depois, prestarão depoimento as testemunhas de defesa dos réus. Ao final, os réus serão interrogados.

Relembre o caso
Amarildo sumiu após ser levado por policiais militares para ser interrogado na sede da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) durante a "Operação Paz Armada", de combate ao tráfico na comunidade, entre os dias 13 e 14 de julho de 2013.

Na UPP, teria passado por uma averiguação. Após esse processo, segundo a versão dos PMs que estavam com Amarildo, eles ainda passaram por vários pontos da cidade do Rio antes de voltar à sede da Unidade de Polícia Pacificadora, onde as câmeras de segurança mostram as últimas imagens de Amarildo, que, segundo os policiais, teria deixado o local sozinho, fato não registrado pelas câmeras.

De acordo com a promotora Carmem Elisa Bastos, do Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado (Gaeco), o tenente Luiz Medeiros, o sargento Reinaldo Gonçalves e os soldados Anderson Maia e Douglas Roberto Vital torturaram Amarildo depois que ele foi levado à base da UPP. Ainda segundo eles, outros PMs são suspeitos de participar ativamente da ação.

Enquanto, segundo a promotora, o ajudante de pedreiro era torturado por quatro policiais, outros 12 ficaram do lado de fora, de vigia. Oito PMs que estavam dentro dos contêineres que servem de base à UPP foram considerados omissos, porque não fizeram nada para impedir a violência. Outros cinco policiais que decidiram colaborar com as investigações disseram que o major Edson, então comandante da UPP, estava num dos contêineres, que não têm isolamento acústico, e podia ouvir tudo. Segundo o MP-RJ, mais 15 policiais militares, entre eles três mulheres, foram denunciados pelo órgão, totalizando 25 acusados pelo crime.

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