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Crise nos presídios » Presos amarrados com cordas no RN Entre os detentos em Macau estão três mulheres, segundo denúncia do sindicato dos policiais, que alega falta de algemas

Estado de Minas

Publicação: 12/03/2014 10:40 Atualização:

A Polícia Civil do Rio Grande do Norte na cidade de Macau, a 185 quilômetros de Natal, tem recorrido ao uso de cordas para prender seus detentos. O caso foi denunciado pelo Sindicato dos Policiais Civis e Servidores da Segurança Pública (Sinpol) do estado, que alega falta de celas e de algemas. Segundo o sindicato, 17 presos, incluindo três mulheres, estão amarrados com cordas em um dos corredores da delegacia. Além da situação irregular dos presos, os policiais reclamam de falta de segurança, diante da facilidade de fuga. O sindicato alega que ao menos um detento que estava amarrado conseguiu fugir.

Uma das presas é a mãe de uma criança de 1 ano e 2 meses, que, de tempos em tempos, tem que ser solta para amamentar o filho. A cena acontece diante dos outros presos. Segundo o sindicato, há apenas duas algemas para todos os presos. A maioria dos presos está detida sob suspeita de tráfico de drogas, mas há também suspeitos de furto, roubo e até de homicídio. Em um vídeo, também divulgado pelo Sinpol, outra detenta presa há 17 dias sob suspeita de tráfico, está grávida e reclama da situação na delegacia. “Não tem condição de tomar banho ou usar o banheiro. Sinto-me humilhada. É uma vergonha”, diz ela.

“Do jeito que está a situação, outros vão fugir a qualquer momento. Os presos estão bem perto da recepção e têm contato com qualquer pessoa que chega na delegacia”, diz Renata Pimenta, vice-presidente do Sinpol-RN, que foi até Macau ontem com um grupo de policiais para inspeção.

O sindicato pretende formalizar a denúncia no Ministério Público e no Poder Judiciário e pedir a remoção urgente desses presos. “Caso contrário, os policiais civis deverão deixar o prédio e ir imediatamente se apresentar na Delegacia Geral, visto que essa situação, além de degradante, é de total insegurança para a sociedade e para os policiais civis”, afirma Renata. Ainda segundo a entidade, a situação já ocorria antes do carnaval, mas o número de presos amarrados aumentou nos últimos dias.

Realidade
Segundo José Carlos de Oliveira, diretor de Policiamento do Interior, a imagem reflete a realidade do local, já que a Polícia Civil não tem para onde mandar os presos. “Já mandamos ofício à Coordenação de Administração Penitenciária (Coap), e reiteramos esse pedido. Eles já pediram a relação dos 17 presos para tirá-los do local, o que deve ocorrer ainda hoje (ontem)”, disse.

Segundo Oliveira, as delegacias do Rio Grande do Norte não têm mais celas ativas. “Em Macau, há um Centro de Detenção Provisória onde só cabem 30 presos, e uma decisão judicial impede de exceder esse total. Com o carnaval, o número de presos foi crescendo. São feitos flagrantes quase todos os dias", informou. Procurada, a Secretaria da Segurança Pública e da Defesa Social não se manifestou sobre o caso.

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