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Crime » Casos de violência em casa representam 38,63% dos ataques homofóbicos Menino de 8 anos foi espancado até à morte pelo pai para "aprender a ser homem"

Julia Chaib - Correio Braziliense

Publicação: 09/03/2014 08:19 Atualização:

O caso de Alex Medeiros, 8 anos, espancado até a morte pelo pai, Alex André, 34 anos, em 17 de fevereiro, no Rio de Janeiro, trouxe à tona o retrato de uma intolerância que não acontece apenas nas ruas, mas, também, dentro de casa. Em depoimento à polícia, o pai da criança disse que bateu no filho para “dar um corretivo” porque ele tinha de “andar como homem”. A atitude violenta de Alex se encaixa em um perfil de violações que ocorrem Brasil afora. No último balanço disponível da Secretaria de Direitos Humanos (SDH) da Presidência da República sobre violência homofóbica, com as denúncias feitas à pasta em 2012, os casos de violação motivados pela orientação sexual e de gênero em casa representam 38,63% dos registros, seguidos pelas agressões na rua, com 30,89% do total de 3.084 queixas.

Ainda segundo o relatório, 61,47% das violações ocorrem com jovens de 12 a 29 anos. Apesar de estar abaixo da faixa etária, Alex ilustra os casos de violência com jovens em casa, segundo especialistas. De acordo com o conselheiro tutelar Rodrigo Coelho, Alex André batia no menino por achar que era uma forma de corrigi-lo. O pai se incomodava com o fato de o filho gostar de dança do ventre, de lavar louça e de não querer cortar o cabelo. O homem declarou também que Alex era desobediente. “Pelo relato familiar, era uma criança ‘rebelde’, que não respeitava os pais, mas o que consta no relatório escolar da criança diz totalmente o contrário, que ele era um menino inteligente, calmo, tranquilo”, disse ao Correio.

Luiz Mott, antropólogo da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e fundador do Grupo Gay da Bahia (GGB), afirma que a homofobia não tem retrocedido no Brasil e faltam políticas para educar a população sobre o tema. “Existe no imaginário coletivo do machismo brasileiro essa pena de morte contra o filho homossexual”, diz. A doutora em psicologia com atuação em estudos de gênero Tatiana Lionço ressalta que, nesse caso, a violência corretiva para impedir que a criança seja gay ou “mulherzinha” é praticada contra uma pessoa que nem sequer consegue compreender o que acontece a sua volta. “A criança não faz ideia do que é ser um homem afeminado, porque seria inapropriado brincar com certas coisas”, disse.

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