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Riscos » "Só de alertar, já ajuda", diz bispo sobre a campanha da fraternidade CNBB lança campanha para orientar fiéis a escaparem das armadilhas. De acordo com a OIT, o crime movimenta pelo menos US$ 35 bilhões por ano

André Shalders - Correio Web

Publicação: 06/03/2014 08:39 Atualização:

"Muitas vezes, é nessa realidade mais simples, dos mais pobres, que as pessoas caem na armadilha do tráfico" foto: Iano Andrade/CB/D.A Press

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) lançou, na tarde de ontem, a 50ª edição da Campanha da Fraternidade, com o tema Fraternidade e Tráfico Humano. De acordo com o bispo e secretário-geral da CNBB, dom Leonardo Ulrich Steiner, o principal objetivo é alertar os fiéis e a sociedade em geral para os riscos envolvidos. “Nosso primeiro objetivo é justamente fazer com que todas as nossas paróquias tomem consciência do problema. Muitas vezes, é nessa realidade mais simples, dos mais pobres, que as pessoas caem na armadilha do tráfico. Então, só de alertar as pessoas, já é uma grande ajuda”, disse ele durante o evento, do qual também participou o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo. Dados compilados pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), em 2005, mostram que a modalidade criminosa é a terceira mais lucrativa do mundo, movimentando ao menos US$ 35 bilhões por ano. A campanha se estenderá até o domingo de Páscoa (20 de abril).

A Campanha da Fraternidade de 2014 também foi saudada por uma mensagem do papa Francisco. No texto, o pontífice diz que "não é possível ficar impassível, sabendo que seres humanos são tratados como mercadoria". “Pense-se em adoções de criança para remoção de órgãos, em mulheres enganadas e obrigadas a prostituir-se, em trabalhadores explorados, sem direitos nem voz etc. Isso é tráfico humano!”, enumera a mensagem papal, citando alguns dos problemas relacionados ao tráfico de pessoas que serão abordados durante a campanha. Dom Leonardo negou que a escolha do tema tenha sido motivada pela realização da Copa do Mundo em 2014 e das Olimpíadas em 2016, mas reconheceu que os eventos exigem cuidados. “É claro que essa época de grandes eventos é muito difícil, sobretudo em relação à exploração de crianças e adolescentes, mas não foi a Copa”, disse ele. Dom Leonardo informou ainda que a iniciativa divulgará em breve um texto sobre os grandes eventos.

Inquéritos

No Brasil, os dados mais recentes sobre o tema foram divulgados em abril de 2013, em um estudo realizado pela Secretaria Nacional de Justiça, do Ministério da Justiça, em parceria com a Polícia Federal. O mapeamento revela que, entre 2005 e 2011, apenas 514 inquéritos policiais foram abertos pela Polícia Federal para investigar esse tipo de crime. Entre esses inquéritos, a maioria (344) encontrou situações de trabalho escravo. Outros 157 versaram sobre tráfico internacional. Das 381 pessoas indiciadas pela Polícia Federal por tráfico internacional nesse período, menos da metade (apenas 158) acabaram presas.

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