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Sequestrado » Professor morto em Minas é inocentado e policias trocam farpas sobre atuação Críticas de delegado à PM causam desconforto. Ele disse que os PMS se esquivaram do confronto

Valquiria Lopes -

Publicação: 26/02/2014 07:10 Atualização:

Operação conjunta resultou em 10 mortes e em apreensão de armamento pesado. Seis pessoas foram presas e 10 são investigadas foto: Rogério Brasil/Divulgação	 (Rogério Brasil/Divulgação)
Operação conjunta resultou em 10 mortes e em apreensão de armamento pesado. Seis pessoas foram presas e 10 são investigadas foto: Rogério Brasil/Divulgação

A Polícia Civil de São Paulo informou nessa terça-feira que o professor Silmar Júnior Madeira, morto em tiroteio durante ataque de uma quadrilha em Itamonte, no Sul de Minas, foi sequestrado pelos bandidos. “Ele foi feito refém”, garantiu o delegado da Divisão de Investigação de Crimes contra o Patrimônio do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) de São Paulo, Ruy Ferraz Fontes. Segundo ele, inquérito complementar foi aberto para apurar as circunstâncias da morte do rapaz, que dava aula em um curso técnico de medicina do trabalho. Pesa a favor dele o depoimento de uma testemunha, que relatou ter visto o professor ser sequestrado para dirigir para o bando. Ele foi baleado junto com os criminosos, na madrugada de sábado, quando uma operação policial desarticulou um grupo paulista especializado em explosões de caixas eletrônicos. Além de Silmar, nove pessoas morreram . Seis foram presas e 10 continuam sendo investigadas.

O professor não usava colete à prova de bala no dia do confronto. “Ele era o único que destoava. Não usava colete, como o restante dos bandidos, e era o único morador da região”, explicou Ruy Fontes. O delegado de Pouso Alegre, João Euzébio, também dá como praticamente certa a inocência do rapaz e lista os mesmos elementos a favor do técnico.

Nessa terça-feira, as polícias Civil e Militar fizeram uma operação em Itamonte para recolher provas para o inquérito. De acordo com o delegado do Deic, o chefe do bando foi morto na operação e pelo menos três dos 10 criminosos que vêm sendo procurados já foram identificados. “O chefe acabou morto. O bando está desestruturado. Perdeu seus principais executores. Aqueles que tinham coragem de cometer os crimes, de matar. Quem sobrou está correndo para não ser preso”, afirma Fontes. Segundo ele, todos os sobreviventes que estão detidos foram ouvidos ontem. “Alguns confessaram que foram lá (em Itamonte) para praticar o crime e assumiram, ainda, outros ataques em Minas e São Paulo.

Constrangimento

A circulação de uma mensagem na internet escrita por um delegado que participou da operação em Itamonte gerou constrangimento entre as polícias Militar e Civil de Minas. No texto, o policial André Barleta, de São Lourenço, também no Sul mineiro, narra detalhes da atuação de colegas na operação. Na versão do delegado, militares se esquivaram do confronto e apareceram somente uma hora depois, para tirar fotos e cumprimentar os policiais civis. O texto gerou reação da PM, que rebateu comentários de Barleta, afirmando que a operação foi uma ação conjunta entre militares, civis de Minas e São Paulo e da Polícia Rodoviária Federal (PRF).

No depoimento pós-confronto, Barleta descreve as equipes paulistas que atuaram em Minas na operação como “grupos da elite da PC-SP que inicialmente estavam meio de narizinho em pé conosco”. Segundo ele, ao final da ação os paulistas olhavam para os policiais civis de Minas com admiração. Ele estendeu suas críticas à Superintendência da Polícia Civil mineira, por falta de munição, equipamentos e armamento reserva para policiais que atuam em confrontos, operações ou em viagens.

A resposta da PM partiu do chefe da assessoria de comunicação da corporação, tenente-coronel Alberto Luiz. Ele classificou o texto de Barleta como “deselegante” e “de mau gosto” e reforça que a PM atuou de forma conjunta com as polícias Civil de Minas e São Paulo, além da PRF. “O trabalho foi integrado. Naquele caso, não havia uma divisão de tarefas. Todas as ações eram conjuntas. Ninguém é melhor do que ninguém. Fizemos o nosso trabalho”, disse o oficial, atestando que um dos militares envolvido na operação chegou a perder parte do braço em ação. O tenente-coronel frisou ainda que não há mais espaço para rixas entre as corporações. “Temos respeito pela Polícia Civil, que tem um papel grandioso e significativo. Mas não gostamos de comentários equivocados e desagradáveis.”

O delegado André Barleta foi procurado ontem pelo Estado de Minas, mas não foi localizado nem retornou as ligações. De acordo com o delegado João Euzébio, chefe do 17º Distrito Policial de Pouso Alegre, ao qual pertence a Delegacia de São Lourenço, o colega agiu por impulso. “Ele estava um pouco perdido, mas já voltou ao normal. Eu era um dos que estavam à frente da operação e a PM atuou ativamente com a Civil de Minas e de São Paulo”, disse. O delegado do Deic, Ruy Fontes, também afirmou que todas as corporações agiram em conjunto.

As críticas também foram rebatidas pelo Superintendente da Polícia Civil em Minas, delegado Jeferson Botelho. Segundo ele, a gestão da corporação é pautada pelo respeito e investimento em equipamentos e armamentos que garantam boas condições de trabalho aos policiais.

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