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Morte de cinegrafista » Acusados de soltar rojão denunciados Jovens podem responder por homicídio triplamente qualificado, entre outros crimes, por lançar artefato que matou cinegrafista

Estado de Minas

Publicação: 18/02/2014 10:07 Atualização: 18/02/2014 10:59

Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil e Wilton Junior/Estadão Conteúdo
Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil e Wilton Junior/Estadão Conteúdo
A promotora Vera Regina de Almeida, da 8ª Promotoria de Investigação Penal do Ministério Público Estadual do Rio, denunciou à Justiça nesta segunda-feira (17) os dois jovens detidos pela morte do cinegrafista Santiago Andrade, de 49 anos, durante manifestação no dia 6. Caio Silva de Souza, 22, e o tatuador Fábio Raposo Barbosa, 22, foram denunciados por homicídio triplamente qualificado por motivo torpe, impossibilidade de defesa da vítima e emprego de explosivo e pelo crime autônomo de explosão. A dupla é suspeita de lançar o rojão que matou o cinegrafista. Para a promotora, os dois agiram em conjunto. Se condenados, eles podem pegar até 30 anos de prisão.

Na sexta-feira, o delegado Maurício Luciano Almeida, da 17ª DP (São Cristóvão), pediu à Justiça que as prisões dos rapazes sejam convertidas de temporária para preventivas. A prisão preventiva tem tempo indeterminado. Já a temporária, a que ambos estão submetidos, tem duração de 30 dias.

No fim de semana, o advogado Jonas Tadeu Nunes, que defende os jovens, disse que entraria com uma ação na Justiça para pedir a anulação do inquérito, alegando que Caio Souza foi coagido a depor na madrugada de quinta-feira, na Casa de Custódia José Frederico Marques, no Complexo de Gericinó, onde está preso. Caio prestou seu primeiro depoimento na madrugada de quinta-feira. Segundo a polícia, ele pediu para depor. Após visitar o manifestante, na tarde de sexta-feira, o advogado disse que ele negou ter pedido para chamar os policiais. “Ao contrário, ele estava muito assustado. Foi surpreendido com a chegada de pelo menos seis policiais no presídio. Foi coagido psicologicamente a falar na calada da noite, de madrugada.” O advogado afirmou que pedirá um habeas corpus para seu cliente e investigação da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).

No depoimento, Caio disse que “partidos que levam bandeiras (…) pagam os manifestantes” e afirmou já ter visto “bandeiras do PSOL, PSTU e FIP (Frente Independente Popular)” nos protestos dos quais participou. Os partidos negaram financiar qualquer ato violento. O manifestante disse, no entanto, não saber detalhes sobre a fonte de pagamento, nem deixou claro se em algum momento recebeu dinheiro por sua participação nos protestos. O rapaz diz ainda que pessoas distribuem pedras e apetrechos a manifestantes.

Caio apontou Fábio Raposo como o responsável por acender o rojão que matou o cinegrafista. Em entrevista à TV Globo logo após a prisão, porém, ele disse que Raposo tinha lhe entregado o rojão e que ele o acendera. Segundo o delegado Maurício Luciano, o preso quis falar e o pedido de anulação não seria legal. “É uma impropriedade técnica do advogado. Ele – Caio – não foi pressionado. Manifestou vontade de falar. Talvez ele tenha querido falar longe do advogado.”
O procedimento foi encaminhado à 3ª Vara Criminal do Rio. Caso o juiz Murilo Kieling aceite a denúncia do MP, será aberta ação penal. Com isso, Fábio e Caio passarão de acusados a réus. Se o magistrado decretar a prisão preventiva dos dois, eles permanecerão atrás das grades até o julgamento, a não ser que obtenham habeas corpus em instâncias superiores. Se ao final da instrução do processo o juiz decidir pronunciá-los, eles serão julgados por um júri popular. 

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