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Qualificação do crime » Defesa quer que black bloc cumpra pena em prisão psiquiátrica Fábio Raposo, coautor do crime, alega ter encontrado o artefato no chão e entregado a outro homem

Étore Medeiros

Publicação: 11/02/2014 07:38 Atualização: 11/02/2014 11:40

Raposo está preso temporariamente no Complexo Penitenciário de Gericinó, em Bangu, na Zona Oeste do Rio, e espera obter o benefício da delação premiada por ter colaborado com a investigação policial. Foto: Wilton Júnior/Estadão Conteúdo/Arquivo
Raposo está preso temporariamente no Complexo Penitenciário de Gericinó, em Bangu, na Zona Oeste do Rio, e espera obter o benefício da delação premiada por ter colaborado com a investigação policial. Foto: Wilton Júnior/Estadão Conteúdo/Arquivo

A Polícia Civil do Rio de Janeiro identificou o homem que acendeu o rojão que atingiu Santiago Andrade, durante um protesto no Rio de Janeiro, na última quinta-feira. O cinegrafista da emissora Bandeirantes teve a morte cerebral confirmada ontem. “Temos convicção de quem foi a pessoa que acendeu o artefato. O próximo passo é pedir a prisão desse elemento, que já foi reconhecido”, garantiu o delegado Maurício Luciano, responsável pelo caso. Um mandado de prisão foi solicitado ao poder Judiciário, mas o nome do homem, que pode ser preso ainda hoje, não foi divulgado. Para identificá-lo, a polícia teve a ajuda de Fábio Raposo, coautor do crime, que alega ter encontrado o artefato no chão e entregado ao outro homem. A dupla será indiciada por homicídio qualificado e explosão e poderá pegar mais de 35 anos de prisão, caso condenada.

Raposo está preso temporariamente no Complexo Penitenciário de Gericinó, em Bangu, na Zona Oeste do Rio, e espera obter o benefício da delação premiada por ter colaborado com a investigação policial. “Ele não teve dificuldade em reconhecê-lo”, disse o delegado Maurício Luciano, que salientou, no entanto, que “caberá ao Poder Judiciário decidir se ele colaborou eficazmente para esta investigação”. Jonas Tadeu Nunes, advogado de Raposo, confirma que entregou ontem à polícia civil o nome, a identidade e o CPF do homem que teria lançado o rojão contra Santiago. Segundo Nunes, o cliente e o outro suspeito não eram amigos, mas se conheciam de outras manifestações. “Eles se conhecem pelos codinomes”, explicou. A partir do apelido, Raposo indicou uma terceira pessoa que ajudou a identificar o homem.

Apesar de ter sido indiciado por homicídio qualificado, a intenção do advogado de Raposo é mudar a qualificação do crime para lesão corporal gravíssima seguida de morte. Com isso, Nunes pretende diminuir a prisão temporária de Raposo e evitar que o ativista cumpra pena em regime fechado. “Vou trabalhar para que, se vier uma condenação, que seja em regime semiaberto. (Raposo) é um menino franzino, que tem problemas psicológicos graves, precisa de remédios. Vamos provar isso na Justiça.” A intenção de Nunes é que o jovem cumpra pena em estabelecimento prisional psiquiátrico. Um pedido de prisão domiciliar também não está descartado.

Embora a tragédia com Santiago Andrade tenha gerado manifestações de repúdio de diversas entidades jornalísticas, para o delegado que investiga o caso, o ataque promovido pelos dois jovens “não foi um atentado à liberdade de imprensa”, uma vez que o alvo era os policiais que acompanhavam a manifestação. Maurício Luciano disse ainda que o episódio deveria incentivar uma revisão da legislação relativa a fogos de artifício no Brasil, uma vez que ficou comprovada a letalidade dos artefatos.

Esta matéria tem: (1) comentários

Autor: jose ricardo alves
para vândalo desse tipo cadeia é muito pouco. É interessante também descobrir quem está financiando esses canalhas. | Denuncie |

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