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Polêmica » Menores desacompanhados são barrados em shopping O incidente coincidiu com a convocação por meio de uma rede social de um evento batizado de 'Rolezinho'

Carolina Cotta - Estado de Minas

Publicação: 13/01/2014 08:37 Atualização:

Depois de ter a entrada barrada na noite de sábado, menores de 18 anos desacompanhados de responsáveis tinham livre circulação às dependências do Shopping Estação BH na tarde de ontem, em Venda Nova. A ação dos seguranças na noite anterior, porém, ainda dividia opiniões entre adolescentes e pais que estiveram no local. O incidente coincidiu com a convocação por meio de uma rede social de um evento batizado de “Rolezinho”. Por meio de nota, o Shopping Estação BH afirmou ter tomado “medidas preventivas para garantir a segurança e bem estar dos clientes, lojistas e colaboradores do centro comercial”.

O taxista José Pereira Araújo, de 58 anos, que faz ponto em frente ao shopping, contou que a aglomeração de adolescentes começou entre 16h e 18h de sábado. “Daqui da rua dava para ver funcionários do shopping pedindo documentação. Só entrava menor de 18 anos acompanhado por maiores”, afirmou. Segundo a assessoria de imprensa da Polícia Militar de Minas Gerais, policiais do 13º BPM compareceram ao local para garantir a segurança, mas não houve registro de ocorrências, por não ter sido confirmado qualquer dano ou agressão.

A jovem R.E.O., de 15 anos, que costuma ir ao shopping todo fim de semana, diz ter sido barrada. Ela chegou ao local por volta das 14h30 de sábado e ouviu do segurança que só poderia entrar acompanhada de um maior. A garota afirmou ter conseguido entrar ao estabelecimento pedindo a maiores de idade que a identificassem como sobrinha, mas reclamou da ação dos seguranças. “Eles estavam com cassetete na mão”, disse.

R.A., de 17 anos, também retornou ao shopping ontem. Ele diz que foi ao shopping no sábado para ver um filme e não pôde entrar. “Nem sabia desse encontro marcado pela internet. Acho errada a atitude do shopping. Eles deviam proibir a bagunça, mas não a entrada de quem quer se divertir”, questionou. A.D., de 13, já barrada em outra oportunidade, diz que a ação é mais comum depois das 18h. Quando passou pela experiência, esperou a mãe chegar ao local para entrar.

Mãe preocupada D.F., de 15, também foi impedida em uma ocasião e acabou indo para o Minas Shopping. “Acho bom que fiscalizem porque os shoppings estão ficando muito perigosos”, defendeu. Temendo esses problemas, a professora Analvina Pinheiro, de 45 anos, não permite que as filhas adolescentes frequentem shoppings desacompanhadas. “Há muitos jovens querendo chocar e incomodar. Eles vêm com a intenção de colocar pânico nos clientes”, diz.

Os chamados “rolezinhos”, convocações para reunião de um grande número de jovens em shoppings, foram comuns em São Paulo no ano passado. Na capital paulista, o Shopping JK Iguatemi chegou a conseguir uma liminar da 14ª Vara Cível da Comarca de São Paulo para impedir a entrada de adolescentes desacompanhados. Membro do Movimento Nacional de Direitos Humanos e coordenador da Comissão da Criança e Adolescente e Assistência Social do Sindicato dos Advogados de São Paulo, Ariel de Castro Alves critica a ação de barrar adolescentes em shoppings. “Esses estabelecimentos podem ser processados, tanto criminalmente, com base na Lei da Discriminação, quanto na área civil, por danos morais e materiais”, opina. 

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